
Safra de cana-de-açúcar provoca aumento da oferta e queda de preços do etanol
José Cruz/Agência Brasil
O preço médio nacional do etanol hidratado caiu para R$ 4,26 por litro na segunda semana de junho, renovando a mínima de 2026. Este é o menor patamar registrado no país desde a última semana de julho de 2025, quando o combustível era comercializado a R$ 4,25 por litro. Os dados constam no Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, desenvolvido com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O recuo expressivo do etanol nas bombas reflete diretamente o avanço da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, principal polo produtor do país. O ritmo acelerado da colheita amplia a oferta do biocombustível no mercado interno, forçando a queda nos preços e fortalecendo a competitividade do produto frente à gasolina em diversos estados brasileiros. Na média nacional, o etanol registrou recuo semanal de R$ 0,07 por litro, enquanto a gasolina e o diesel S-10 apresentaram estabilidade.
Comportamento regional dos preços
Apesar da tendência de queda nacional, o comportamento dos preços nas bombas seguiu desigual entre as unidades da federação. No mercado do etanol, as maiores reduções semanais ocorreram em Tocantins, com queda de R$ 0,17 por litro, seguido por Pernambuco, com recuo de R$ 0,14, e Mato Grosso, com baixa de R$ 0,13. Na direção oposta, o Piauí liderou as altas semanais do biocombustível, com avanço de R$ 0,17 por litro, seguido pelo Distrito Federal, que registrou alta de R$ 0,16.
Na gasolina comum, o maior aumento semanal também foi registrado no Piauí, com alta de R$ 0,16 por litro, seguido por Maranhão (R$ 0,09) e Paraíba (R$ 0,07). Em contrapartida, o Amazonas apresentou a maior queda para a gasolina, com recuo de R$ 0,07 por litro, seguido por Roraima e Rio Grande do Norte, ambos com queda de R$ 0,06. Na média do país, a gasolina teve leve redução de R$ 0,01 por litro, indicando acomodação.
Estabilidade no óleo diesel
O diesel S-10 (combustível fóssil com menor teor de enxofre utilizado amplamente no transporte de cargas) apresentou o comportamento mais estável entre os combustíveis monitorados, com recuo médio nacional de R$ 0,04 por litro. Ainda assim, o Acre liderou as altas isoladas do óleo diesel com um aumento expressivo de R$ 0,59 por litro, seguido por Piauí, com alta de R$ 0,07. As maiores reduções do combustível ocorreram no Amapá, com queda de R$ 0,20, Roraima, com recuo de R$ 0,19, e Santa Catarina, com baixa de R$ 0,19.
A evolução dos preços nas bombas para as próximas semanas continuará atrelada ao ritmo da safra sucroenergética (período de colheita e processamento da cana para a produção de açúcar e etanol), às condições gerais de oferta e ao comportamento das cotações internacionais do petróleo. No caso do etanol, a continuidade dos trabalhos de campo tende a manter o mercado interno abastecido, criando condições para que os preços permaneçam próximos das mínimas históricas.
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