
Mercado Halal exige conhecimento
Divulgação/Anab
O mercado global Halal — que compreende produtos, alimentos e serviços permitidos para o consumo de populações muçulmanas de acordo com as leis islâmicas — vive um período de expansão geométrica. Direcionado hoje a um público de quase dois bilhões de consumidores em todo o planeta, esse ecossistema econômico movimenta cifras superlativas.
Segundo dados consolidados do State of the Global Islamic Economy Report, o setor injeta atualmente US$ 7,36 trilhões na economia global através de vertentes que vão muito além da alimentação, englobando turismo, finanças, moda, cosméticos, fármacos e entretenimento. A projeção aponta que este montante deve saltar para massivos US$ 10,88 trilhões até o ano de 2028.
Esta aceleração tem transformado profundamente a dinâmica do comércio exterior e gerado uma corrida corporativa por posicionamento estratégico. No centro deste cenário está o Brasil. Atual líder absoluto e principal exportador de alimentos com certificação Halal do mundo, o país tem diante de si uma oportunidade multibilionária, acompanhada de um desafio imediato: a escassez de mão de obra especializada capaz de navegar pelas rígidas particularidades técnicas, regulatórias e culturais exigidas pelo bloco islâmico.
Demanda corporativa e o gargalo da qualificação
Para que um produto receba o selo Halal, o rigor operacional vai muito além do produto final; engloba desde a rastreabilidade total da matéria-prima até processos logísticos de armazenamento e transporte que evitem qualquer tipo de contaminação cruzada com itens considerados ilícitos pela jurisprudência islâmica (como a carne suína ou o álcool). Consequentemente, empresas que miram esses mercados demandam, em ritmo urgente, especialistas focados em áreas como auditoria, conformidade (compliance), gestão da qualidade, logística internacional, marketing e direito regulatório.
"Aqueles que têm conhecimento específico vão sair na frente nos processos seletivos", afirma Delduque Martins, diretor executivo e secretário-geral da International Halal Academy (IHA). Ele pontua que as corporações que atuam ou pretendem ingressar nesse nicho requerem profissionais aptos a gerir certificações complexas e estabelecer estratégias eficientes de ponta a ponta.
Pioneirismo na educação executiva nacional
Para suprir o gap de formação técnica exigido pelo mercado, a International Halal Academy — primeira instituição privada da América Latina dedicada à capacitação para este segmento — uniu forças com a Universidade Estácio para o lançamento de uma especialização inédita: o MBA Halal – Padrões e Desenvolvimento de Mercado e Negócios. O programa é o primeiro do gênero no Brasil certificado e chancelado pelo Ministério da Educação (MEC).
Com duração de 18 meses e uma carga horária de 360 horas, a pós-graduação será ministrada no formato Ao Vivo Online, permitindo interação síncrona e em tempo real com professores de relevância no setor. O currículo pedagógico engloba módulos fundamentais para o cenário atual, cobrindo normas globais, finanças islâmicas, comportamento do consumidor muçulmano, marketing estratégico e logística integrada. Há também a previsão de um módulo internacional opcional estruturado junto ao International Transport and Logistics Institute (ITLI), sediado em Alexandria, no Egito.
Para o pró-reitor da Estácio São Paulo, André Ferrari, o lançamento reflete uma transformação importante no cenário da educação executiva e do mercado de trabalho. "A dinâmica da economia global tem criado demandas cada vez mais específicas por profissionais com formação especializada. O mercado Halal é um exemplo claro desse movimento. As instituições de ensino superior precisam estar atentas a essas transformações e preparar profissionais capazes de atuar em contextos multiculturais, regulatórios e internacionais cada vez mais complexos", avalia.
O curso é direcionado a gestores, executivos, profissionais de comércio exterior, compliance, logística, finanças e graduados que buscam capturar o crescimento expressivo deste bloco comercial. Com o avanço das exportações brasileiras para o Oriente Médio, Norte da África e Ásia, a especialização em negócios Halal deixa de ser um nicho opcional e passa a figurar como um diferencial definitivo na alta liderança corporativa.
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