
América Latina é a região com a maior ocorrência de golpes no e-commerce
Joédson Alves/Agência Brasil
As perdas decorrentes de fraudes no comércio eletrônico brasileiro devem ultrapassar R$ 8,1 bilhões até o final de 2026, representando um dos maiores entraves para o crescimento sustentável do setor. A estimativa integra a pesquisa "Agenda do Varejo Online", conduzida pela Koin, fintech de soluções de pagamento e prevenção à fraude, em parceria com a consultoria Gmattos.
De acordo com o levantamento, o prejuízo acumulado por golpes em compras online com cartão de crédito saltou de R$ 3,9 bilhões em 2020 para R$ 7,8 bilhões em 2025, devendo alcançar a marca atual de R$ 8,1 bilhões. O avanço reflete diretamente a maior sofisticação das ações criminosas e o aumento no volume de transações digitais.
O relatório indica ainda que a América Latina figura entre as regiões com maior incidência de fraudes no e-commerce mundial. Enquanto a América do Norte e a Ásia mantêm índices próximos a 3% do total de pedidos, a taxa latina atinge 4,1% — patamar próximo ao europeu e superior ao de mercados com maior maturidade digital.
"Durante anos, a discussão sobre fraude ficou restrita ao chargeback. Hoje, a dinâmica é mais complexa: as empresas precisam combater os golpes sem impactar a experiência dos clientes legítimos, já que cada transação negada indevidamente significa perda direta de receita", ressalta Ignacio Stagnaro, CCO da Koin.
O impacto dos falsos positivos e a inteligência artificial
Outro ponto crítico identificado no estudo é a elevação dos falsos positivos — cenários em que compras legítimas são bloqueadas por sistemas de segurança. A taxa média de aprovação de vendas online na América Latina permanece significativamente abaixo da registrada na América Norte, evidenciando que o rigor excessivo nas análises de risco tem gerado perda contínua de conversão para os lojistas.
A inteligência artificial surge como motor dessa transformação em ambas as frentes:
- No crime cibernético: Fraudadores utilizam IA para automatizar ataques, validar dados vazados em escala e criar abordagens personalizadas de alta persuasão.
- Na defesa corporativa: Empresas de segurança aceleram aportes em modelos preditivos de IA para identificar padrões suspeitos em tempo real, mitigando perdas sem interromper a jornada de compra.
"A prevenção à fraude deixou de ser uma barreira estática para se tornar um motor dinâmico de tomada de decisão. A inteligência artificial é indispensável tanto para conter golpistas quanto para proteger a taxa de conversão dos e-commerces", reforça Stagnaro.
A apreensão também se reflete no comportamento dos usuários: 47% dos consumidores latino-americanos apontam a fraude como a principal preocupação ao realizar pagamentos digitais. O dado reforça a necessidade de criar jornadas transparentes e seguras para sustentar o avanço do comércio eletrônico no país.
O levantamento faz parte da série "Estudo Koin 2026 – Agenda do Varejo Online", dedicada a analisar tendências de consumo, meios de pagamento, crédito, prevenção a riscos e transformação digital na América Latina.

