Economia

Governo estuda mistura de 32% de etanol à gasolina para segurar preço

O Ministério de Minas e Energia submeterá ao CNPE em até 15 dias a adoção temporária da mistura E32

VIVIANE TAGUCHI

09/06/2026 • 17:00 • Atualizado em 09/06/2026 • 20:16

Ministério quer adotar temporariamente o E32 para segurar o preço da gasolina

Ministério quer adotar temporariamente o E32 para segurar o preço da gasolina

José Cruz/Agência Brasil

O Ministério das Minas e Energia anunciou, nesta terça-feira (9) que enviará, ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), uma proprosta de aumento da mistura de etanol à gasolina, de 30% para 32%. A medida é uma tentativa de conter o preço da gasolina, pressionado pelos conflitos no Oriente Médio. Se aprovada, a medida será temporária, com validade de 180 dias.

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De acordo com as projeções da pasta, o aumento de dois pontos percentuais na mistura do biocombustível permitirá ao Brasil deixar de importar até 450 milhões de litros de gasolina pura ao longo do período de vigência da regra.

A substituição do produto estrangeiro pelo nacional é economicamente vantajosa devido ao atual spread de preços. Dados defendidos por entidades do setor apontam que o etanol anidro chega a registrar uma diferença substancial de preço por litro, sendo significativamente mais barato do que a gasolina pura antes da realização da mistura. Com o combustível fóssil pressionado pelo petróleo do tipo Brent no exterior, o biocombustível atua como um colchão de amortecimento contra repasses excessivos ao consumidor.

Validação técnica e trâmite

A proposta de elevação para 32% não ocorre ao acaso e está respaldada por segurança previsível na engenharia automotiva. O governo assegurou que a decisão foi precedida por testes técnicos rigorosos coordenados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, os quais atestaram a viabilidade mecânica e a eficiência energética da nova proporção nos motores que rodam no país, sem prejuízos ao rendimento ou à durabilidade dos componentes veiculares.

Apesar do forte alinhamento político e do aval do Palácio do Planalto, o aumento ainda não está em vigor. O rito legal exige que a resolução seja apresentada e chancelada formalmente pelo colegiado de ministros que compõem o CNPE. A expectativa do mercado é de aprovação célere, dada a urgência em conter possíveis repasses da crise internacional do petróleo para os índices de inflação domésticos.