Economia

Governo unifica subsídio do diesel em R$ 1,12 e prorroga auxílio ao gás

Nova medida entra em vigor nesta segunda-feira (1) para neutralizar a volta dos impostos federais e conter reflexos da volatilidade do petróleo no Oriente Médio

VIVIANE TAGUCHI

30/05/2026 • 19:38 • Atualizado em 30/05/2026 • 20:12

Governo anuncia medidas para conter alta de combustíveis

Governo anuncia medidas para conter alta de combustíveis

Reprodução/TV Band

O governo federal confirmou oficialmente a prorrogação e a unificação de uma série de medidas estratégicas voltadas à contenção dos preços dos combustíveis no mercado interno. A decisão da equipe econômica foi motivada diretamente pela forte volatilidade do mercado internacional de petróleo, pressionado pela escalada e permanência dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que ameaçam as cadeias globais de suprimento. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Compartilhar

A partir desta segunda-feira, 1º de junho, entra em vigor um novo modelo de subvenção econômica que unifica os auxílios anteriores. O objetivo principal do Palácio do Planalto é criar um colchão de amortecimento financeiro para blindar o consumidor brasileiro de repasses abruptos nas bombas, garantindo a estabilidade da atividade econômica e do setor de transportes nas próximas semanas.

O que muda no subsídio ao óleo diesel

A principal alteração estrutural ocorre no modelo de apoio ao óleo diesel. O governo federal unificou o valor da subvenção em R$ 1,12 por litro do combustível. Esse montante será pago diretamente às refinarias nacionais e aos importadores autorizados, simplificando o fluxo de repasses e centralizando a operação financeira.

Esse nova fatia de R$ 1,12 substitui, de forma definitiva, dois mecanismos regulatórios que expiravam neste domingo (31): a subvenção original de R$ 0,32 (instituída em março) e o auxílio adicional de R$ 0,80 (criado em abril para incentivar e subsidiar o refino nacional). Com a mudança, o governo elimina a fragmentação dos benefícios e assume integralmente o financiamento do teto unificado com recursos exclusivos do Tesouro Nacional.

Modelo "cashback" para neutralizar impostos

A formulação do novo modelo foi desenhada emergencialmente para solucionar um impasse fiscal. Como a desoneração das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel perde a validade legal, a cobrança dos tributos federais retorna compulsoriamente nas notas fiscais emitidas na cadeia de distribuição.

Para neutralizar o impacto inflacionário imediato desse retorno tributário — e evitar que o preço suba para o consumidor final —, o governo federal estruturou a subvenção como uma espécie de "cashback" regulatório. As refinarias e importadores recolhem o imposto, mas recebem a compensação financeira imediata do valor unificado, mantendo a paridade de preços inalterada na saída das usinas.

Regras de Rigor e Fiscalização da ANP

Para terem direito ao recebimento do recurso federal, as empresas distribuidoras e refinarias precisam aderir voluntariamente ao programa e comprovar que o desconto de R$ 1,12 foi integralmente aplicado no preço final de venda. Esse abatimento deve ser detalhado obrigatoriamente nas Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e).

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensificará as vistorias e a fiscalização nas pontas da cadeia de suprimento para coibir margens de lucro abusivas ou qualquer tentativa de retenção do subsídio.

O pacote de contenção de preços atualizado tem vigência programada até o dia 31 de julho. Durante este bimestre, a equipe econômica monitorará o comportamento do barril de petróleo no exterior para decidir sobre novas prorrogações.

Gás de cozinha e setor aéreo também recebem blindagem

Além do óleo diesel, o governo federal estendeu o colchão de proteção para outros dois segmentos energéticos essenciais até o fim de julho, visando conter os impactos indiretos na inflação oficial do país. Para o gás de cozinha (GLP), a subvenção destinada a produtores e importadores de Gás Liquefeito de Petróleo foi prorrogada. Para garantir o preço estável do botijão residencial de 13 kg para as famílias brasileiras, o orçamento total do programa foi duplicado, expandindo-se de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões.

Já para o setor aéreo, o Querosene de Aviação (QAV) também foi integrado ao pacote emergencial. Foram incluídas medidas de alívio tarifário e desoneração de custos operacionais ligadas ao combustível da aviação. A iniciativa busca mitigar diretamente o repasse de custos e conter a escalada nos preços das passagens aéreas no próximo trimestre, período que engloba as férias de julho.