Economia

Conflito contra o Irã faz petróleo disparar e dólar subir no mundo

Temor de bloqueio no Estreito de Ormuz eleva preços da energia e aumenta aversão ao risco global

Da redação
DA REDAÇÃO

02/03/2026 • 14:09 • Atualizado em 02/03/2026 • 14:09

ensão no Oriente Médio dispara petróleo e pressiona moedas globais

ensão no Oriente Médio dispara petróleo e pressiona moedas globais

Valter Campanato/Agência Brasil

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocou forte reação nos mercados globais nesta segunda-feira (2), com disparada do petróleo e alta do dólar, em meio ao temor de interrupções no fornecimento de energia e de escalada do conflito no Oriente Médio.

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Os ataques deixaram centenas de mortos, entre eles o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de integrantes do alto escalão do governo. A instabilidade geopolítica elevou a percepção de risco global e desencadeou movimentos imediatos nos preços das commodities e nas moedas.

Por volta do meio-dia, o contrato futuro do petróleo Brent (referência internacional) era negociado perto de US$ 79 o barril, alta de cerca de 7,6% em Londres. O WTI, referência dos Estados Unidos, subia cerca de 6%, para pouco mais de US$ 71 o barril em Nova York.

No Brasil, as ações da Petrobras avançavam 3,9% na B3, negociadas a R$ 44,39 no início da tarde. Analistas atribuem o movimento ao risco de interrupção do fluxo de petróleo no principal gargalo energético do planeta.

Estreito estratégico concentra temor do mercado

O foco das preocupações está no Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde transita cerca de 20% de toda a produção mundial de petróleo e gás.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, a região é a principal rota de escoamento do petróleo de grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Iraque. “É o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Se o estreito é fechado, a oferta global cai abruptamente e os preços reagem quase imediatamente”, afirma.

Relatos de embarcações impedidas de atravessar a região já foram registrados desde o início das hostilidades. Em alguns momentos do dia, o Brent chegou a superar US$ 80 o barril, acumulando alta próxima de 13%.

Para Sartori, a volatilidade deve persistir enquanto houver risco logístico. “Se o conflito se prolongar e a circulação continuar restrita, os preços tendem a permanecer elevados ou subir ainda mais à medida que os estoques diminuam.”

Produção global não preocupa tanto quanto transporte

Especialistas avaliam que o principal problema não é a produção de petróleo em si, mas a capacidade de transporte. A Opep+ anunciou aumento da produção no domingo (1º) para compensar eventuais perdas de oferta iraniana. Segundo analistas, o cartel dispõe de capacidade ociosa suficiente para evitar escassez física do combustível.

O gargalo está na logística. O estreito é geograficamente estreito e vulnerável a bloqueios militares ou incidentes operacionais. “A interrupção do tráfego provocaria desorganização em toda a cadeia produtiva global”, afirma Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval. Mesmo países exportadores de petróleo, como o Brasil, poderiam sofrer impacto por importarem derivados refinados, que chegariam mais caros.

Pressão inflacionária e impacto nos juros

Se o petróleo permanecer em patamar elevado por período prolongado, o efeito tende a chegar ao consumidor final. Segundo Sartori, o encarecimento da energia pode gerar repasse de preços e provocar novo impulso inflacionário. O movimento também pode afetar a política monetária brasileira.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil já indicou intenção de reduzir a taxa básica de juros na reunião de março, mas a escalada do petróleo pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos.

A Selic está atualmente em 15% ao ano. Analistas avaliam que a redução prevista pode ser menor do que o esperado inicialmente.

Dólar sobe com fuga global de risco

A tensão geopolítica também interrompeu a recente trajetória de queda do dólar. A moeda americana subia cerca de 1% no início da tarde, negociada perto de R$ 5,20. O movimento reflete a chamada “fuga para ativos seguros”, quando investidores retiram recursos de economias emergentes e migram para moedas e mercados considerados mais estáveis.

Apesar da alta inicial, especialistas veem comportamento menos previsível da moeda americana diante do cenário político internacional, especialmente sob a influência da gestão do presidente Donald Trump.

Segundo Sartori, conflitos costumavam fortalecer o dólar de forma mais intensa no passado. Agora, a reação tende a ser mais limitada e volátil. A expectativa é de oscilações na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25 nos primeiros dias do conflito, enquanto o mercado tenta dimensionar a duração e a intensidade da crise.

Com informações da Agência Brasil.