Economia

Ibovespa registra alta de 1,9% na semana, mesmo em realização de lucros

Índice da B3 teve máxima histórica nos 190 mil pontos e mostra força frente a emergentes

Da redação
DA REDAÇÃO

13/02/2026 • 18:42 • Atualizado em 13/02/2026 • 18:51

Investidores ajustam posições antes do feriado prolongado de Carnaval na B3

Investidores ajustam posições antes do feriado prolongado de Carnaval na B3

Pexels

Mesmo com realização de lucros nas duas últimas sessões, o Ibovespa terminou a semana acumulando ganho de 1,92%, encerrando em baixa de 0,69%, aos 186.464,30 pontos, nesta sexta-feira (13).

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Na quarta-feira (11), o índice da B3 atingiu, pela primeira vez durante o pregão, a marca histórica de 190 mil pontos, em escalada de quase 30 mil pontos em relação ao fechamento de 2025, que foi aos 161 mil pontos.

Nesta sexta, o Ibovespa oscilou entre 183.662,18 e 187.765,82 pontos, com máxima do dia igual ao nível de abertura. O giro financeiro da sessão foi de R$ 33,5 bilhões. No mês, o índice sobe 2,81% e, no ano, acumula alta de 15,73%.

“O Ibovespa vem em uma sequência de recordes em 2026, com combinação rara de fatores técnicos, macro e de fluxo. Há sinal de queda da Selic em março, dos 15% atuais para cerca de 12,5% no fim do ano, ou até abaixo”, explica Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital.

Ele observa ainda que há uma recomposição de investimentos em emergentes como o Brasil, favorecida pelos valuations esticados em mercados de referência, como o americano. “O Brasil volta a ser um destino relevante para o capital global.”

No relatório sobre a América Latina desta sexta-feira (13), o Bank of America (BofA) destaca a escalada do Ibovespa neste início de ano, com reprecificação de ações de setores estratégicos, como energia e materiais, acompanhando o movimento de pares globais, à exceção dos EUA. No setor financeiro da B3, entretanto, a reprecificação se manteve isolada.

O banco também ressalta fluxo de US$ 12 bilhões em recursos estrangeiros para emergentes (excluindo China). No Brasil, ainda há saída de fundos locais.

Até a publicação do relatório, o desempenho em dólar foi de +3% no país, acima de México e Peru (estáveis) e de Colômbia (-1%) e Chile (-2%), mas ligeiramente abaixo da média dos emergentes (+4%). O dólar fechou em alta de 0,57%, próximo de R$ 5,23, mas recuando 0,34% no mês. Na semana, subiu 0,18%.

Para a semana que vem, a expectativa é de desempenho mais estável do Ibovespa, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa. A percepção de estabilidade subiu de 20% para 50%, a expectativa de alta de 30% para 37,5% e a de queda caiu de 50% para 12,5%.

Nesta sexta (13), Vale ON caiu 2,47% após divulgação de resultados trimestrais. Petrobras cedeu 0,59% na PN e 0,23% na ON, com leve alta do petróleo em Londres e Nova York.

Entre os bancos, BTG subiu 1,86%, mas outros recuaram: Itaú PN -0,97%, Banco do Brasil ON -2,31%. Entre as maiores altas do Ibovespa estiveram Eneva (+8,06%), Usiminas (+4,81%), Cury (+3,50%) e Direcional (+2,15%). No lado oposto, Raízen (-5,97%), BB Seguridade (-3,86%), TIM (-3,53%) e Metalúrgica Gerdau (-3,38%).

“Prevaleceu ajuste de posições antes do feriado de Carnaval, período em que a B3 ficará fechada, reduzindo apetite por risco”, resume Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital.

“A semana teve dois momentos distintos. Nos primeiros dias, o Ibovespa renovou recordes consecutivos e alcançou 190 mil pontos, impulsionado por entrada de capital estrangeiro e maior apetite ao risco. Na segunda metade, houve realização de lucros diante de cenário externo mais cauteloso”, analisa Bruna Sene, da Rico.

“Hoje, o Ibovespa testou nível de suporte em 183 mil, retornando a 186 mil. Havia expectativa pelo balanço da Vale e dados de inflação dos EUA direcionaram o mercado externo. Aqui, a realização de lucros é normal, considerando a pausa para o Carnaval e a recente escalada do índice”, completa Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos. Em Nova York, Dow Jones +0,10%, S&P 500 +0,05% e Nasdaq -0,22%.