
Investidores ajustam posições antes do feriado prolongado de Carnaval na B3
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Mesmo com realização de lucros nas duas últimas sessões, o Ibovespa terminou a semana acumulando ganho de 1,92%, encerrando em baixa de 0,69%, aos 186.464,30 pontos, nesta sexta-feira (13).
Na quarta-feira (11), o índice da B3 atingiu, pela primeira vez durante o pregão, a marca histórica de 190 mil pontos, em escalada de quase 30 mil pontos em relação ao fechamento de 2025, que foi aos 161 mil pontos.
Nesta sexta, o Ibovespa oscilou entre 183.662,18 e 187.765,82 pontos, com máxima do dia igual ao nível de abertura. O giro financeiro da sessão foi de R$ 33,5 bilhões. No mês, o índice sobe 2,81% e, no ano, acumula alta de 15,73%.
“O Ibovespa vem em uma sequência de recordes em 2026, com combinação rara de fatores técnicos, macro e de fluxo. Há sinal de queda da Selic em março, dos 15% atuais para cerca de 12,5% no fim do ano, ou até abaixo”, explica Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital.
Ele observa ainda que há uma recomposição de investimentos em emergentes como o Brasil, favorecida pelos valuations esticados em mercados de referência, como o americano. “O Brasil volta a ser um destino relevante para o capital global.”
No relatório sobre a América Latina desta sexta-feira (13), o Bank of America (BofA) destaca a escalada do Ibovespa neste início de ano, com reprecificação de ações de setores estratégicos, como energia e materiais, acompanhando o movimento de pares globais, à exceção dos EUA. No setor financeiro da B3, entretanto, a reprecificação se manteve isolada.
O banco também ressalta fluxo de US$ 12 bilhões em recursos estrangeiros para emergentes (excluindo China). No Brasil, ainda há saída de fundos locais.
Até a publicação do relatório, o desempenho em dólar foi de +3% no país, acima de México e Peru (estáveis) e de Colômbia (-1%) e Chile (-2%), mas ligeiramente abaixo da média dos emergentes (+4%). O dólar fechou em alta de 0,57%, próximo de R$ 5,23, mas recuando 0,34% no mês. Na semana, subiu 0,18%.
Para a semana que vem, a expectativa é de desempenho mais estável do Ibovespa, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa. A percepção de estabilidade subiu de 20% para 50%, a expectativa de alta de 30% para 37,5% e a de queda caiu de 50% para 12,5%.
Nesta sexta (13), Vale ON caiu 2,47% após divulgação de resultados trimestrais. Petrobras cedeu 0,59% na PN e 0,23% na ON, com leve alta do petróleo em Londres e Nova York.
Entre os bancos, BTG subiu 1,86%, mas outros recuaram: Itaú PN -0,97%, Banco do Brasil ON -2,31%. Entre as maiores altas do Ibovespa estiveram Eneva (+8,06%), Usiminas (+4,81%), Cury (+3,50%) e Direcional (+2,15%). No lado oposto, Raízen (-5,97%), BB Seguridade (-3,86%), TIM (-3,53%) e Metalúrgica Gerdau (-3,38%).
“Prevaleceu ajuste de posições antes do feriado de Carnaval, período em que a B3 ficará fechada, reduzindo apetite por risco”, resume Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital.
“A semana teve dois momentos distintos. Nos primeiros dias, o Ibovespa renovou recordes consecutivos e alcançou 190 mil pontos, impulsionado por entrada de capital estrangeiro e maior apetite ao risco. Na segunda metade, houve realização de lucros diante de cenário externo mais cauteloso”, analisa Bruna Sene, da Rico.
“Hoje, o Ibovespa testou nível de suporte em 183 mil, retornando a 186 mil. Havia expectativa pelo balanço da Vale e dados de inflação dos EUA direcionaram o mercado externo. Aqui, a realização de lucros é normal, considerando a pausa para o Carnaval e a recente escalada do índice”, completa Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos. Em Nova York, Dow Jones +0,10%, S&P 500 +0,05% e Nasdaq -0,22%.
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