
Inflação
José Cruz/Agência Brasil
O Índice de Preços ao Consumido Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou o mês de novembro em 0,18%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10).
Esse resultado é o menor para um mês de novembro desde 2018, quando a variação foi de -0,21%. No ano, a inflação acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%.
Em novembro, cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados vieram com variação positiva. Veja:
- Despesas pessoais: 0,77%
- Habitação: 0,52%
- Vestuário: 0,49%
- Transportes: 0,22%
- Educação: 0,01%
- Artigos de residência: -1,00%
- Comunicação: -0,20%
- Saúde e cuidados pessoais:-0,04%
- Alimentação e bebidas: -0,01%
Despesas pessoais e habitação
No grupo Despesas pessoais, o destaque, conforme o IBGE, foi o subitem Hospedagem que, com 4,09% de variação, apresentou impacto de 0,03 no índice do mês, com destaque para a alta de cerca de 178% registrada em Belém, em razão da COP30.
Após registrar queda de 0,30% em outubro, o grupo Habitação apresentou variação de 0,52% em novembro, sob influência da energia elétrica residencial, com alta de 1,27% e 0,05 p.p. de impacto. Com a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 1, a variação no subitem decorre dos reajustes de 19,56% em Goiânia (13,02%), a partir de 22 de outubro; 11,21% em Brasília (7,39%), vigente desde 22 de outubro; 16,05% em uma das concessionárias em São Paulo (0,70%) a partir de 23 de outubro e 21,95% em uma das concessionárias em Porto Alegre (2,39%) a partir de 22 de novembro.
Com acumulado de 15,08% no ano e de 11,41% nos últimos 12 meses, a energia elétrica residencial é o principal impacto nos dois períodos, com 0,58 p.p. e 0,46 p.p., respectivamente.
No grupo Habitação, foi incorporado o reajuste de 9,75% nas tarifas de água e esgoto (0,29%) em Fortaleza (7,80%), vigente desde 05 de novembro, e a redução de 0,04% nas tarifas de gás encanado (-0,01%) no Rio de Janeiro (-0,04%), a partir e 1º de novembro.
Transportes
A variação de 0,22% de Transportes reflete a alta de 11,90% no subitem passagem aérea, principal impacto individual (0,07 p.p.) no resultado de novembro.
Já os combustíveis registraram variação negativa no mês (-0,32%) com quedas no gás veicular (-0,51%), na gasolina (-0,42%) e no óleo diesel (-0,06%). Apenas o etanol ficou no campo positivo com variação de 0,39%, desacelerando em relação ao 0,85% de outubro.
No IPCA também foi possível observar o reflexo das gratuidades concedidas no ônibus urbano (-0,76%), em razão de feriados em Belém (-15,54%), Curitiba (-3,93%) e Brasília (-0,91%), com redução de mesma magnitude no metrô (-3,90%) na capital federal.
Também no metrô e no trem (-3,63%) em São Paulo, a redução de 6,73% em ambos os modais referem-se à gratuidade conferida nos dias do ENEM, igualmente impactando o subitem integração transporte público (-4,51%).
Artigos de residência, saúde e alimentação
Artigos de residência (-1,00%) apresentou a menor variação dentre os grupos de produtos e serviços pesquisados, com destaque para as reduções nos eletrodomésticos e equipamentos (-2,44%) e TV, som e informática (-2,28%).
Em Saúde e cuidados pessoais (-0,04%) foi registrada queda de 1,07% nos artigos de higiene pessoal, ante a alta de 0,57% do mês anterior.
Em novembro, o grupo Alimentação e bebidas voltou para patamar negativo, registrando variação de -0,01%, com a alimentação no domicílio (-0,20%) caindo pelo sexto mês consecutivo.
Destacam-se as quedas dos subitens tomate (-10,38%), leite longa vida (-4,98%) e arroz (-2,86%). No lado das altas sobressaem o óleo de soja (2,95%) e as carnes (1,05%).
A alimentação fora do domicílio variou 0,46% no mês, com desaceleração no lanche, que saiu de 0,75% em outubro para 0,61% em novembro e na refeição, que foi de 0,38% para 0,35% em igual comparativo.
Meta de inflação
A meta de inflação do governo é de 3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, no máximo 4,5%.
Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.
O boletim Focus da última segunda-feira (08), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, estima que a inflação oficial ao fim de 2025 será de 4,40%.
Na noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciará a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano ─ maior patamar desde julho de 2006 (15,25%).
IPCA
O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todos, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços). Atualmente o salário mínimo é de R$ 1.518.
A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas - Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre - além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Com informações da Agência Brasil

