
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ministerial. Residência Oficial da Granja do Torto
Ricardo Stuckert / PR
Resumo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a União Europeia deve não conseguir aprovar o acordo com o Mercosul no prazo e disse que, sem assinatura agora, o Brasil não voltará a negociar enquanto ele for presidente.
Em reunião na Granja do Torto, Lula criticou o adiamento da cúpula do Mercosul, apontou resistência de Itália e França por motivos internos e disse que o acordo favorece mais os europeus.
O presidente afirmou que o Brasil endurecerá a postura se o tratado não for firmado, defendeu o multilateralismo e informou viagens à Índia e à Coreia do Sul, além de descartar presença no G7 em 2026 por estar em campanha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 17, que recebeu a informação de que a União Europeia não deve conseguir aprovar, a tempo, o acordo com o Mercosul para assinatura prevista para sábado, 20. Em tom firme, Lula declarou que, caso o tratado não seja fechado agora, o Brasil não voltará a negociar enquanto ele estiver na Presidência.
A declaração foi feita durante reunião ministerial realizada na Granja do Torto. O presidente criticou o adiamento da cúpula do Mercosul, originalmente marcada para 2 de dezembro e remarcada para o dia 20 a pedido da União Europeia, justamente para viabilizar a aprovação do acordo.
“É importante lembrar que essa reunião do Mercosul seria no dia 2 de dezembro, mas foi transferida para o dia 20 porque a União Europeia pediu, alegando que só conseguiria aprovar o acordo no dia 19. Agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar. Está difícil, porque Itália e França não querem, por problemas políticos internos”, afirmou Lula.
Segundo o presidente, o acordo é mais vantajoso para os europeus do que para os países sul-americanos. Ele citou a resistência do presidente francês, Emmanuel Macron, por pressão de agricultores, e criticou a postura da Itália. “Já avisei que, se não fizermos agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. São 26 anos de espera”, disse.
Lula acrescentou que, se a assinatura não ocorrer, o governo brasileiro adotará uma postura mais dura nas relações com a União Europeia. “Nós trabalhamos muito para aceitar esse acordo e defender o multilateralismo, num momento em que o presidente dos Estados Unidos quer enfraquecê-lo e fortalecer o unilateralismo. Um PIB de US$ 22 trilhões fazendo um acordo em defesa do multilateralismo”, afirmou.
O presidente disse que irá a Foz do Iguaçu com a expectativa de uma resposta positiva dos europeus, mas reiterou que, em caso de negativa, o Brasil endurecerá sua posição. “Cedemos a tudo o que era possível a diplomacia ceder”, declarou.
Lula também adiantou que pretende viajar à Índia no início do próximo ano e que sua última viagem internacional em 2026 será à Coreia do Sul. Segundo ele, não deve participar da reunião do G7 por estar em “franca campanha”.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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