Economia

Se UE não fechar agora acordo com Mercosul, Brasil não fará mais, diz Lula

A declaração foi feita durante reunião ministerial realizada na Granja do Torto

Da redação
DA REDAÇÃO

17/12/2025 • 13:44 • Atualizado em 17/12/2025 • 13:51

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ministerial. Residência Oficial da Granja do Torto

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ministerial. Residência Oficial da Granja do Torto

Ricardo Stuckert / PR

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a União Europeia deve não conseguir aprovar o acordo com o Mercosul no prazo e disse que, sem assinatura agora, o Brasil não voltará a negociar enquanto ele for presidente.

Em reunião na Granja do Torto, Lula criticou o adiamento da cúpula do Mercosul, apontou resistência de Itália e França por motivos internos e disse que o acordo favorece mais os europeus.

O presidente afirmou que o Brasil endurecerá a postura se o tratado não for firmado, defendeu o multilateralismo e informou viagens à Índia e à Coreia do Sul, além de descartar presença no G7 em 2026 por estar em campanha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 17, que recebeu a informação de que a União Europeia não deve conseguir aprovar, a tempo, o acordo com o Mercosul para assinatura prevista para sábado, 20. Em tom firme, Lula declarou que, caso o tratado não seja fechado agora, o Brasil não voltará a negociar enquanto ele estiver na Presidência.

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A declaração foi feita durante reunião ministerial realizada na Granja do Torto. O presidente criticou o adiamento da cúpula do Mercosul, originalmente marcada para 2 de dezembro e remarcada para o dia 20 a pedido da União Europeia, justamente para viabilizar a aprovação do acordo.

“É importante lembrar que essa reunião do Mercosul seria no dia 2 de dezembro, mas foi transferida para o dia 20 porque a União Europeia pediu, alegando que só conseguiria aprovar o acordo no dia 19. Agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar. Está difícil, porque Itália e França não querem, por problemas políticos internos”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, o acordo é mais vantajoso para os europeus do que para os países sul-americanos. Ele citou a resistência do presidente francês, Emmanuel Macron, por pressão de agricultores, e criticou a postura da Itália. “Já avisei que, se não fizermos agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. São 26 anos de espera”, disse.

Lula acrescentou que, se a assinatura não ocorrer, o governo brasileiro adotará uma postura mais dura nas relações com a União Europeia. “Nós trabalhamos muito para aceitar esse acordo e defender o multilateralismo, num momento em que o presidente dos Estados Unidos quer enfraquecê-lo e fortalecer o unilateralismo. Um PIB de US$ 22 trilhões fazendo um acordo em defesa do multilateralismo”, afirmou.

O presidente disse que irá a Foz do Iguaçu com a expectativa de uma resposta positiva dos europeus, mas reiterou que, em caso de negativa, o Brasil endurecerá sua posição. “Cedemos a tudo o que era possível a diplomacia ceder”, declarou.

Lula também adiantou que pretende viajar à Índia no início do próximo ano e que sua última viagem internacional em 2026 será à Coreia do Sul. Segundo ele, não deve participar da reunião do G7 por estar em “franca campanha”.

*Com informações do Estadão Conteúdo.