O setor imobiliário de São Paulo vive um momento de intensa movimentação, com recorde de lançamentos de novos empreendimentos e mudanças significativas impulsionadas pela revisão do Plano Diretor e pelas novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida. Essa é a avaliação de Jorge Cury, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), em entrevista à Rádio Bandeirantes, nesta quarta-feira (22).
Segundo Cury, a cidade de São Paulo passou nos últimos anos por uma transformação importante no setor imobiliário, refletida no aumento do número de obras e no adensamento de regiões próximas a corredores de transporte público. "O plano diretor feito foi inclusivo, criando a cidade de 15 minutos cujo o intuito é adensar os corredores viários", afirmou o presidente do Secovi-SP.
A revisão do Plano Diretor, concluída em 2024, e a adequação da lei de zoneamento permitiram a construção de apartamentos maiores, com 200 a 300 metros quadrados, e também incentivaram o lançamento de imóveis compactos e sem vaga de garagem, especialmente próximos ao metrô. "Isso gerou um adensamento muito grande", explicou.
Dados do setor mostram que, em 12 meses, foram lançadas 139 mil unidades habitacionais no município de São Paulo, número considerado histórico. Deste total, cerca de 80 mil unidades são voltadas ao segmento de interesse social, impulsionadas pelo Minha Casa, Minha Vida. "Estamos falando aí de 80 bilhões de reais em vendas no município de São Paulo", destacou Cury.
O presidente do Secovi-SP ressaltou que a ampliação dos limites de renda e valores financiáveis do Minha Casa, Minha Vida tem beneficiado parte importante da população, especialmente nas faixas 3 e 4 do programa. "Na faixa 3 desse Minha Casa, Minha Vida, que era 350 mil, está atingindo 400 mil; essa faixa 4, que hoje atinge 600 mil reais, era 500, passou para 600 mil. É o que tem atendido, vamos falar assim", pontuou.
Apesar do cenário positivo para o setor e para os programas habitacionais, Cury chamou atenção para os desafios enfrentados pela classe média diante dos elevados patamares de juros no país. "A classe média está sendo muito apertada, muito oprimida", disse. Segundo ele, enquanto o financiamento pelo FGTS oferece taxas de até 8% ao ano, as operações voltadas à classe média, com recursos da poupança ou do mercado, chegam a 11% ou 13% ao ano, dificultando o acesso à casa própria.
O dirigente explicou que, sem uma correção do déficit fiscal e a consequente redução dos juros, a oferta de crédito para a classe média continuará restrita. "Se não tiver uma correção desse déficit fiscal, não permitir que o juro caia, não vamos conseguir nunca ter uma taxa de juro para uma hipoteca de 30 anos que permita o acesso dessa classe média, como era e como sempre foi aqui ao longo dos últimos anos", avaliou.
Cury reforçou que a classe média sempre foi o carro-chefe do mercado imobiliário, mas hoje encontra limitações tanto pelo alto custo do crédito quanto pela ausência de subsídios específicos. "Hoje a classe média está sofrendo em função desses motivos", concluiu.
O presidente do Secovi-SP finalizou destacando que, apesar do avanço do programa Minha Casa, Minha Vida e do crescimento do segmento de imóveis de luxo,
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

