
O que você precisa saber para ser MEI se é beneficiário do Bolsa Família
Lyon Santos/Agência Brasil
Beneficiários do Bolsa Família que pensam em se formalizar como Microempreendedor Individual (MEI) podem, pelas regras em vigor, abrir CNPJ e continuar recebendo o benefício no Brasil, desde que a renda por pessoa da família permaneça dentro dos limites definidos pelo governo federal.
Critério é a renda familiar, não o CNPJ
O CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) não é, por si só, motivo para exclusão do Bolsa Família. O que o governo analisa é a renda mensal por pessoa da família registrada no Cadastro Único.
Mesmo após a abertura do MEI, a família mantém o benefício integral se a renda por pessoa continuar em até R$ 218,00 por mês. Nesse cálculo, entram salários, aposentadorias, pensões e o lucro obtido com a atividade como microempreendedor.
Para não ter problemas, o beneficiário deve manter os dados atualizados no Cadastro Único e informar de forma correta os valores que efetivamente entram no orçamento da casa.
Quando a renda aumenta: como funciona a Regra de Proteção
Se o negócio como MEI começar a render mais e a renda familiar ultrapassar o limite de R$ 218,00 por pessoa, a família não perde o Bolsa Família de imediato.
Nesses casos, entra em vigor a chamada Regra de Proteção, que reduz o valor pago, mas mantém parte da ajuda.
Pela regra, a família passa a receber 50% do valor do benefício por um período determinado, desde que respeite os tetos de renda definidos. As condições mudam conforme a data de entrada e o tipo de renda.
- Famílias que já estavam na Regra de Proteção até junho de 2025 podem ficar até 24 meses, com renda máxima de R$ 759,00 por pessoa;
- Novas entradas a partir de julho de 2025, sem renda estável, podem permanecer até 12 meses, com renda limite de R$ 706,00 por pessoa;
- Para quem tem renda estável, como aposentadoria ou BPC, o prazo é de 2 meses, também com limite de R$ 706,00 por pessoa.
Incentivo ao empreendedorismo para quem está no CadÚnico
O governo federal criou iniciativas específicas para estimular que famílias inscritas no Cadastro Único empreendam, sem medo de perder imediatamente o Bolsa Família ao se formalizar.
Uma delas é o Programa Acredita no Primeiro Passo, voltado a incentivar o pequeno negócio entre pessoas de baixa renda.
A proposta é ampliar a autonomia econômica, aumentar a renda familiar e valorizar o trabalho, oferecendo uma transição gradual para quem melhora de vida.
Na prática, o recado para o beneficiário é que é possível ser MEI e continuar no Bolsa Família, desde que a renda declarada seja real e atualizada. Se a renda crescer, a Regra de Proteção funciona como uma espécie de fase de adaptação, garantindo tempo para que o novo negócio se firme antes de um eventual desligamento do programa.
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