Economia

Tensão no Oriente Médio faz preço do petróleo disparar

O cenário de incerteza internacional impactou fortemente os mercados financeiros nesta segunda-feira (1)

Da redação
DA REDAÇÃO

01/06/2026 • 16:19 • Atualizado em 01/06/2026 • 16:21

Os preços do petróleo voltaram a disparar em meio à escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos, com troca de ataques e movimentações militares de Israel em relação ao Hezbollah, grupo militante apoiado por Teerã. O cenário de incerteza internacional impactou fortemente os mercados financeiros, especialmente após declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre negociações com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

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De acordo com postagem feita por Trump, ele teria tido uma “conversa muito produtiva” com Netanyahu sobre a situação no Líbano e a atuação do Hezbollah. O presidente americano afirmou que, segundo esse diálogo, "Hezbollah não atacará Israel" e que “eles concordaram que todos os disparos vão cessar e que Israel não os atacará”, destacando ainda que “não haverá tropas a caminho de Beirute”.

Apesar da tentativa de acalmar os ânimos, o mercado financeiro internacional reagiu com nervosismo. O gestor de investimentos e sócio fundador da Stratton Capital, Marcelo Cabral, relatou que “o mercado está muito nervoso, abriu hoje o petróleo subindo bastante, tanto os dois benchmarks de petróleo, o petróleo americano subindo 5% e o petróleo na Europa subindo 6%”.

Segundo ele, houve uma “reversão forte de expectativas porque no final de semana as notícias foram positivas com relação ao encaminhamento do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, não se confirmou e novamente temos um reaquecimento do conflito e declarações dos dois lados sugerindo que ainda estamos longe de um acordo”.

A instabilidade tem se refletido de forma direta nos mercados de ações. Cabral afirma que “estamos vendo aqui nos Estados Unidos uma correlação muito clara entre preço de petróleo e desempenho do S&P 500”, e ressalta que “voltamos a essa dinâmica e o mercado fica na expectativa das ações em geral, não só nos Estados Unidos como ao redor do mundo”.

O gestor ainda lembrou que, na semana passada, o preço do petróleo havia caído 17% em maio, sustentado pela expectativa de um acordo. No entanto, com a suspensão das negociações pelo Irã em protesto contra as ações de Israel no Líbano e o fechamento do Estreito de Ormuz, houve uma nova disparada do petróleo, que subiu cerca de 7% após os últimos acontecimentos.

Cabral também destacou o impacto político das recentes movimentações. Para ele, a credibilidade do presidente americano é um fator importante na volatilidade dos mercados: “O Trump está super pressionado, porque é como se ele já tivesse perdido essa guerra, dado por conta do petróleo também pressionando para que esse fim aconteça o quanto antes”.

O especialista analisa que, além da guerra militar, há uma “guerra de narrativas”, e discorda da ideia de que o Irã saiu fortalecido: “A estrutura militar do Irã foi absolutamente devastada. A marinha iraniana está no fundo do Estreito, embaixo d’água. A vitória militar americana foi completamente destruída o domínio aéreo que os Estados Unidos e Israel têm hoje no Irã é total. O que acontece é que não se está conseguindo chegar ao final desse processo de guerra, e aí o Donald Trump perde muito e se desgasta muito”.

Sobre os efeitos para a população, Cabral reforça que o choque no mercado de energia é significativo, com o preço da gasolina nos Estados Unidos tendo subido 50% nas bombas. Ele aponta ainda que o conflito é regional e afeta outros países.