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Economia

Trégua no Oriente Médio não deve baratear preço da gasolina e diesel

Bloqueio inédito de rota por onde passam 20% do petróleo mundial sinaliza mudança estrutural no setor energético; especialista alerta para a busca por alternativas fora do Oriente Médio

2 min

17/04/2026 12:31 • Atualizado há 191 dias

Trégua no Oriente Médio não deve baratear preço da gasolina e diesel

O mercado de energia entrou em um novo capítulo após o fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das veias mais pulsantes da economia global. Em entrevista ao BandNews Station, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), detalhou os desdobramentos desse evento inédito e alertou que o mundo dificilmente retornará ao status quo anterior aos conflitos entre Irã, Estados Unidos e Israel.

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Embora as ameaças de interrupção na região sejam recorrentes, Pires enfatiza que o bloqueio efetivo foi um marco histórico. A relevância estratégica do local é traduzida em números:

20% de todo o petróleo mundial circula pela rota.

25% do gás natural comercializado globalmente depende dessa passagem.

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“Sempre houve uma ameaça, mas nunca fechou. E dessa vez fechou”, destacou o especialista, justificando a forte instabilidade nos mercados internacionais.

Alívio temporário e queda no Brent

O anúncio feito pelo Irã sobre a reabertura temporária do estreito até a próxima quarta-feira (22) trouxe um respiro imediato. O reflexo foi sentido nas bolsas de valores, com o preço do barril do tipo Brent recuando para a casa dos US$ 88.

Contudo, para o diretor do CBIE, este alívio não significa que a crise foi superada. A percepção de risco mudou permanentemente. “O mundo vai ser outro depois desse conflito”, afirmou Pires, indicando que a confiança nas rotas tradicionais foi severamente abalada.

Impacto no bolso: gasolina e diesel mais caros

Mesmo com o fluxo de navios normalizado, o consumidor final deve sentir o peso da crise. Isso ocorre porque o risco geopolítico encarece variáveis invisíveis, mas fundamentais, do comércio marítimo:

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Fretes: Aumento no valor do transporte de cargas.

Seguros: Prêmios mais altos para navios que transitam em zonas de conflito.

Pires é enfático ao projetar o cenário para os derivados de petróleo: “Preços de gasolina e diesel este ano vão ficar bastante caros no mundo inteiro”.

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A busca por novos horizontes energéticos

A vulnerabilidade exposta pelo bloqueio deve acelerar uma reestruturação na matriz de fornecimento global. A tendência é que as grandes potências busquem reduzir a dependência do Oriente Médio, investindo em exploração em outras regiões e em fontes alternativas.

A "trégua" atual é vista com cautela. Caso o Irã anuncie um novo fechamento na próxima semana, a volatilidade retornará com força total. "A geopolítica do petróleo e do gás no mundo mudou", concluiu Pires, sinalizando que a incerteza será a nova regra do mercado de energia.