Cardiologia está entre as especialidades mais ativas no país; veja rotina

Entre emergências e prevenção, cardiologista relata o dia a dia que envolve trabalho intenso e decisões críticas para o paciente

PRISCILLA VIERROS

15/05/2026 • 11:00 • Atualizado em 15/05/2026 • 11:00

Entre emergências e prevenção, cardiologista relata o dia a dia que envolve trabalho intenso e decisões críticas para o paciente

Entre emergências e prevenção, cardiologista relata o dia a dia que envolve trabalho intenso e decisões críticas para o paciente

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A escolha por uma especialidade médica costuma nascer de um processo gradual, feito de dúvidas, descobertas e, sobretudo, de propósito. Na cardiologia, uma das áreas mais concorridas da residência médica, essa trajetória ganha contornos ainda mais exigentes. A rotina envolve alta carga horária, decisões rápidas e um impacto direto na vida dos pacientes.

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Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre especialidades médicas, desenvolvida para auxiliar estudantes de medicina na escolha de suas futuras carreiras. O objetivo é apresentar os bastidores, os desafios e a realidade prática de cada área, oferecendo um guia realista para quem está prestes a decidir seu caminho profissional.

O cardiologista Vitor Bruno Teixeira de Holanda, 42, formado pela Universidade Federal do Pará, com doutorado em Cardiologia e atuação na Fundação Pública Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, compartilha os caminhos que o levaram a essa escolha.

A decisão pela medicina, segundo ele, começou ainda no ensino médio, impulsionada pelo interesse nas ciências biológicas e pelo impacto social da profissão. “Foi um conjunto de experiências que me fizeram enxergar a medicina como um caminho de propósito”, afirma.

Vitor de Holanda I Crédito: Arquivo pessoal

Vitor de Holanda I Crédito: Arquivo pessoal

Da dúvida à escolha pela cardiologia

Como ocorre com muitos estudantes, a definição da especialidade não veio de imediato. Durante a graduação, Vitor passou por diferentes áreas até se aproximar da clínica médica, ponto de virada para a escolha pela cardiologia.

O que pesou, segundo ele, foi a amplitude da especialidade. “Ela permite atuar tanto na prevenção quanto em situações críticas, exigindo um raciocínio clínico refinado e tomada de decisão rápida.”

Essa dualidade, entre o acompanhamento contínuo e a urgência, é uma das marcas da área. Mas também é o que torna a rotina mais desafiadora do que muitos imaginam. O dia a dia na cardiologia começa cedo e raramente segue um roteiro previsível. Na prática, o trabalho se divide entre o ambiente hospitalar e o atendimento ambulatorial.

Na emergência, o cenário é dinâmico e exige respostas imediatas. Casos como infarto agudo do miocárdio são frequentes e ilustram o nível de responsabilidade envolvido. “São situações em que minutos fazem diferença entre vida e morte”, explica.

Hoje, ele divide o tempo entre a assistência a pacientes graves e a formação de novos médicos. Ao longo da semana, a carga de trabalho varia entre 50 e 60 horas, podendo aumentar conforme a demanda hospitalar. Além disso, ele pontua que a atuação na docência e na pesquisa é fundamental para cobrir a necessidade de constante atualização.

O que não te contam sobre a especialidade

Apesar da forte base técnica, um dos principais equívocos sobre a cardiologia é considerá-la uma área exclusivamente voltada a procedimentos. Na prática, o fator humano é central. “O vínculo com o paciente é essencial, especialmente no acompanhamento de doenças crônicas”, diz o médico.

Outro ponto pouco discutido por ele é o desgaste emocional. A exigência por alta performance, somada à imprevisibilidade da rotina, cobra um preço. Situações críticas, como infartos extensos, exigem controle emocional e precisão técnica simultaneamente.

Ainda assim, há espaço para equilíbrio, embora não sem esforço. “É possível conciliar vida pessoal e profissão, mas exige organização e disciplina”, afirma.

Mercado competitivo e formação contínua

A cardiologia segue como uma das especialidades mais disputadas da residência médica. Segundo o especialista, o cenário atual é mais competitivo do que no início da sua carreira, o que exige diferenciação e formação sólida.

O retorno financeiro, em geral, acompanha essa exigência. No entanto, está diretamente relacionado à carga de trabalho e à multiplicidade de vínculos profissionais, realidade comum na área.

O médico pontua que, com o envelhecimento da população, a demanda por atendimento cardiológico cresce de forma consistente. Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos vêm transformando a prática, ampliando a precisão diagnóstica e as possibilidades de tratamento.

Ainda assim, a prevenção segue como um dos pilares da especialidade. “Grande parte das doenças cardiovasculares pode ser evitada com acompanhamento adequado”, destacando a importância do cuidado preventivo.

Vale a pena?

Para quem considera seguir carreira na cardiologia, o médico aconselha que preparo técnico e resiliência emocional são indispensáveis. “É uma área que exige estudo contínuo e capacidade de lidar com situações de alta pressão. Mas, ao mesmo tempo, proporciona grande realização profissional e impacto direto na vida das pessoas”, afirma.

Ao olhar para trás, Vitor afirma que escolheria o mesmo caminho novamente e dá orientação para quem pretende seguir a carreira: “Cardiologia é especialmente para quem gosta de desafios, raciocínio clínico e quer atuar em uma área com grande impacto na vida das pessoas”.