
Fabrícia Moreira Bertini, estudante de Medicina, conquistou a vaga com apoio do FIES após anos de preparação
Divulgação/Arquivo pessoal
Desde criança, Fabrícia Moreira Bertini, 24, estudante do sétimo semestre de Medicina, na Universidade Anhembi Morumbi (UAM) de São José dos Campos, sonhava em ser médica. A vontade se intensificou na adolescência: “Quando comecei a ter consultas mais frequentes com minha ginecologista, passei a me interessar mais por Medicina. Percebi que adorava responder às perguntas feitas durante a anamnese e achava interessante observar a forma como ela analisava exames e conduzia a consulta”, lembra.
Ela conta que, naquele momento, não tinha noção do quanto era difícil ser aprovada em um vestibular de Medicina. Fabrícia estudou em escola particular com bolsa de estudos e, com o tempo, foi criando consciência do tamanho do desafio que seria escolher Medicina.
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“Meu pai conta que, quando era pequena, ia às feiras de profissões da escola e meus olhos brilhavam quando eu voltava falando tudo o que tinha descoberto sobre a Medicina, algo que deixava meus pais preocupados, pois não sabiam como seria isso financeiramente”, conta.
Ao concluir o Ensino Médio, Fabrícia ingressou no cursinho da mesma instituição, onde já conhecia professores e método de ensino. O objetivo era conquistar uma vaga em universidade pública, já que o alto custo de uma faculdade privada era inviável para sua família.
“Meus pais sempre pagaram a minha escola e a da minha irmã com muito esforço e sacrifício, e hoje consigo enxergar o quanto isso me ensinou a valorizar tudo o que tive e tenho”, pontua.

Aprovada em 9º lugar em Odontologia na Unesp, Fabrícia não desistiu do sonho de cursar Medicina I Divulgação/Arquivo pessoal
Foram três anos de cursinho intensivo, sempre focada nas universidades públicas. Quando se aproximava do quarto ano, o estresse e a autocobrança aumentaram. Com apoio da família, do namorado e da psicóloga, decidiu ampliar horizontes: começou a trabalhar e a participar de experiências diversas, reduzindo o cursinho para as aulas do Enem aos sábados. Trabalhou como monitora em um acampamento, passou em concurso público e atuou como supervisora do Censo do IBGE, conciliando tudo com os estudos. Pouco antes do exame, voltou a se dedicar exclusivamente à prova.
Naquele mesmo período, prestou vestibular para Odontologia na Unesp. Foi aprovada em 9º lugar e chegou a realizar a matrícula, mas como estratégia para realizar o sonho de ser médica. “Eu sabia que, em algum momento, iria atrás da Medicina, mesmo que isso significasse me formar em Odontologia primeiro e usá-la como uma forma de ajuda para chegar ao curso que eu realmente queria. A Medicina foi (e continua sendo) o meu sonho”, enfatiza Fabrícia.
Foi quando ela começou a considerar a possibilidade do Fies como alternativa para realizar o sonho de cursar Medicina. “O financiamento surgiu como a única maneira de conquistar meu sonho de forma mais rápida, já que não tinha direito ao Prouni por ter estudado em escola particular com bolsa parcial”, explica.
O apoio da família sempre foi decisivo. “Percebi que eu tinha duas escolhas: encarar o financiamento ou adiar o sonho da Medicina por muitos e muitos anos, após me formar em Odontologia”, conta.
Apesar das limitações financeiras, seus pais a incentivaram, oferecendo segurança e compreensão nos momentos mais desafiadores. “Antes de decidir, confesso que tinha bastante receio da ideia de sair da faculdade com uma dívida grande, mas era a única alternativa”, recorda.
O processo do Fies trouxe inseguranças, especialmente com relação à coparticipação. A mensalidade da faculdade superava o teto do financiamento, mas a atualização do valor em 2025 finalmente permitiu que o programa cobrisse 100% do custo, garantindo tranquilidade para continuar os estudos.
Mesmo com o Fies, os desafios continuam. O deslocamento diário de ônibus até a faculdade em São José dos Campos consome tempo e energia. “Durmo cerca de quatro horas por noite, mas, apesar de tudo, me sinto feliz e realizada por viver meu sonho”, conta.

Com o apoio da família, o sonho da Medicina ganhou força I Divulgação/Arquivo pessoal
A experiência trouxe aprendizados profundos. Ela reforça que nem sempre as coisas acontecem como imaginamos: “Por muito tempo, só pensei em universidade pública. Nos ‘45 minutos do segundo tempo’, tudo mudou e abriu caminhos que eu nunca tinha imaginado”. Seu objetivo como futura médica é cuidar de quem mais precisa com atenção, carinho e respeito.
Para quem sonha em seguir Medicina, sua mensagem é: não desistam. Dedicação e esforço, aliados ao cuidado com a saúde mental e experiências de vida além do cursinho, são fundamentais. Aos pais, o conselho é apoiar os filhos em cada etapa do processo. Quanto ao Fies, ela reforça que vê-lo como alternativa viável pode ser o que transforma um sonho distante em realidade concreta.
