Como se planejar para o Fies em Medicina antes de assumir o financiamento

Economista da Me Poupe explica os riscos do Fies, e estudante de Medicina relata como organiza o orçamento durante a graduação

PRISCILLA VIERROS

30/01/2026 • 18:23 • Atualizado em 30/01/2026 • 18:23

Com teto ampliado, Fies exige ainda mais atenção ao orçamento durante e após a graduação em Medicina

Com teto ampliado, Fies exige ainda mais atenção ao orçamento durante e após a graduação em Medicina

Divulgação/Freepik

Ingressar em um curso de Medicina pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é o objetivo de milhares de estudantes todos os anos. Para quem não consegue arcar integralmente com as mensalidades, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) segue como uma das principais alternativas. Em 2026, o programa passou por ajustes importantes, especialmente para Medicina, o que exige ainda mais atenção ao planejamento financeiro.

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A principal mudança foi o aumento do teto de financiamento. Antes limitado a R$ 60 mil por semestre, o valor máximo financiável passou para R$ 78 mil, uma alta de cerca de 30%. Segundo o economista Gean Duarte, especialista em educação financeira da Me Poupe, a alteração não muda a taxa de juros do programa, mas eleva o tamanho da dívida ao final do curso. “O financiamento ficou mais compatível com a realidade das mensalidades, mas o estudante precisa ter clareza de que o custo total aumenta”, afirma.

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Na prática, o aluno consegue financiar uma parcela maior do curso, mas assume um compromisso de longo prazo. Durante a graduação e no período de carência, os valores pagos costumam ser baixos, o que pode gerar a falsa sensação de tranquilidade. O problema aparece após a formatura, quando começam as parcelas mais altas e a renda ainda é instável, especialmente para quem depende de plantões, residência médica ou contratos temporários.

Outro ponto de atenção é o efeito do tempo sobre a dívida. Mesmo com juros considerados baixos, atrasos, renegociações ou prorrogações de prazo fazem com que os juros compostos aumentem o saldo devedor. “Pagar em dia, evitar atrasos e, sempre que possível, antecipar amortizações reduz bastante o impacto no longo prazo”, orienta Gean.

Antes de contratar o Fies, o economista recomenda que o estudante e a família encarem a decisão como um projeto que envolve seis anos de curso e vários anos de pagamento depois. Entram na conta gastos com moradia, alimentação, transporte, materiais e possíveis mudanças de cidade. “Planejamento realista evita surpresas quando a fase mais pesada do financiamento começa”, diz.

Para Carol Capucho, a localização foi decisiva na escolha da faculdade I Divulgação/Arquivo pessoal

Para Carol Capucho, a localização foi decisiva na escolha da faculdade I Divulgação/Arquivo pessoal

A estudante Carol Capucho, do 7º semestre de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, em São José dos Campos, relata que a localização foi decisiva na escolha. “Sabia que, com uma parcela alta, não poderia ter custos extras com moradia. Por isso, optei por estudar na cidade onde já morava com meus pais”, conta. Para equilibrar o orçamento, ela atua como artista visual, cantora e fotógrafa, contribuindo com as despesas da família.

Carol destaca que a parcela do Fies é tratada como prioridade no orçamento doméstico. “Isso me dá segurança para estudar e evita problemas no aditamento semestral”, afirma. Para quem está começando, ela indica que, além de planejar gastos, é fundamental manter uma comunicação transparente com quem vai ajudar financeiramente ao longo da graduação.

Do ponto de vista legal, o cuidado começa na assinatura do contrato. É essencial entender o valor financiado, as regras de aditamento, os prazos de carência e as consequências do atraso. Descuidos podem gerar multas, aumento da dívida e até restrições no CPF. Acompanhar o saldo devedor e guardar documentos ao longo dos anos é uma forma de evitar problemas futuros.

Para quem sonha com Medicina, o Fies pode ser um caminho viável, desde que a decisão venha acompanhada de informação, planejamento e responsabilidade financeira.