Cirurgia vascular revela rotina de alta complexidade e decisões críticas

Especialista detalha formação, rotina e desafios da área, que vai do consultório às cirurgias de alta complexidade em hospitais de referência

PRISCILLA VIERROS

23/04/2026 • 10:06 • Atualizado em 23/04/2026 • 10:06

A rotina do médico vascular é dinâmica e varia conforme a área de atuação

A rotina do médico vascular é dinâmica e varia conforme a área de atuação

Freepik

Para quem se prepara para o vestibular de medicina e busca entender melhor as especialidades, a cirurgia vascular se destaca por reunir técnica refinada, decisões de alto risco e ampla atuação profissional. A área é responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças que afetam artérias, veias e vasos linfáticos, condições que vão desde varizes até casos complexos com risco de morte.

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O interesse pela carreira, muitas vezes, começa cedo. É o caso do cirurgião vascular Antonio Zerati, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), que relata influência familiar na escolha. “Meu pai era médico e teve grande influência ao mostrar a rotina, a dedicação e a responsabilidade da profissão”, afirma.

Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre especialidades médicas, desenvolvida para auxiliar estudantes de medicina na escolha de suas futuras carreiras. O objetivo é apresentar os bastidores, os desafios e a realidade prática de cada área, oferecendo um guia realista para quem está prestes a decidir seu caminho profissional.

Rotina: entre consultório e cirurgias de alta complexidade

Após a graduação, o caminho até a cirurgia vascular exige, obrigatoriamente, residência em Cirurgia Geral, seguida de especialização na área. Segundo Zerati, o contato com diferentes especialidades durante a formação é decisivo. “Saber lidar com artérias e veias, tratar doenças das mais simples às mais complexas e a técnica cirúrgica refinada foram determinantes para minha escolha”, diz.

Antonio Zerati I Crédito: Arquivo pessoal

Antonio Zerati I Crédito: Arquivo pessoal

A rotina do médico vascular é dinâmica e varia conforme a área de atuação. No consultório, predominam atendimentos ligados a doenças venosas, como varizes, além de procedimentos estéticos. Já em hospitais, especialmente em centros de referência como a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o cenário é outro: cirurgias complexas e pacientes com quadros graves.

Zerati destaca que, em casos oncológicos, o papel do cirurgião vascular pode ser decisivo. “Muitas vezes, o sucesso na retirada de um tumor depende da capacidade de lidar com os vasos envolvidos”, explica. Ele relembra situações em que decisões tomadas durante a cirurgia definiram a possibilidade de cura de pacientes, evidenciando o nível de responsabilidade da especialidade.

Desafios técnicos e emocionais

A cirurgia vascular exige preparo técnico constante e equilíbrio emocional. Entre os desafios mais delicados está a necessidade de indicar amputações em casos graves. “É uma decisão difícil, que exige clareza técnica e, ao mesmo tempo, empatia para acolher o paciente e a família”, afirma.

Outro ponto de atenção é a banalização de procedimentos estéticos nas redes sociais. Segundo o especialista, diagnósticos imprecisos e técnicas inadequadas podem gerar complicações sérias, reforçando a importância da formação qualificada.

No consultório, as queixas mais comuns são relacionadas a doenças venosas, como varizes. Já problemas arteriais tendem a afetar pacientes mais idosos. Há ainda casos específicos, como traumas vasculares em jovens e demandas hospitalares ligadas ao tratamento de câncer.

Zerati também alerta para o aumento de diagnósticos de lipedema, muitas vezes feitos de forma excessiva. “Nem todo acúmulo de gordura é lipedema. É preciso critério”, ressalta.

Mercado de trabalho e qualidade de vida

A especialidade oferece diversas possibilidades de atuação: consultório, hospitais, urgência e carreira acadêmica. Embora haja maior concentração de profissionais nos grandes centros, cidades menores ainda apresentam boas oportunidades.

Do ponto de vista financeiro, a diversidade de atividades amplia as fontes de renda. No entanto, investimentos em tecnologia, como ultrassom Doppler e laser, podem ser elevados. Parcerias com outras áreas, como Dermatologia, são alternativas para viabilizar custos.

Vale a pena seguir a cirurgia vascular?

Para quem gosta de desafios constantes, raciocínio clínico e prática cirúrgica, a resposta tende a ser positiva. “É uma especialidade que exige estudo contínuo. Lidamos com situações de risco iminente de vida e de mutilação. Quem se motiva por isso vai se identificar”, conclui Zerati.

Além do tratamento, o médico vascular também atua na prevenção, orientando mudanças de hábitos como parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios --medidas fundamentais para a saúde circulatória.