
Para João Paulo Pretti Fantin, a pesquisa forma o raciocínio científico do médico
Divulgação/ Arquivo pessoal
A pesquisa científica ocupa um papel cada vez mais relevante na formação médica e no avanço dos tratamentos de saúde. Para estudantes que desejam ingressar na Medicina, entender esse universo pode ajudar não apenas na construção do currículo acadêmico, mas também na compreensão de como surgem novas terapias e medicamentos.
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De acordo com o médico urologista e pesquisador João Paulo Pretti Fantin, a produção científica acompanha toda a trajetória do médico, desde a graduação até a prática profissional.
“O estudante muitas vezes imagina que a pesquisa científica serve apenas para descobrir novas curas, mas ela também tem papel fundamental na formação do raciocínio científico e na atualização constante do médico”, afirma.
Fantin é uro-oncologista no Hospital de Amor, em Barretos, vice-coordenador do serviço de urologia da instituição e coordenador de pesquisas científicas da Sociedade Brasileira de Urologia, seccional São Paulo. Ele também possui doutorado em ciências da saúde pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.
Pesquisa começa ainda na graduação
Durante a faculdade de Medicina, a pesquisa científica costuma aparecer por meio da iniciação científica, projeto acadêmico que permite ao estudante participar de estudos orientados por professores.
Segundo Fantin, essa experiência é importante principalmente para o desenvolvimento do método científico e do senso crítico.
“O objetivo da pesquisa na graduação não é necessariamente descobrir um novo medicamento. O principal ganho é aprender metodologia científica, desenvolver responsabilidade e saber interpretar estudos”, diz.
Mesmo assim, ele ressalta que a base da formação médica continua sendo o estudo teórico. Para ele, a formação do estudante deve seguir três pilares:
• Conceito: aprendizado teórico nos livros e nas aulas da faculdade• Clínica: experiência prática em hospitais e ambulatórios• Ciência: atualização por meio de artigos científicos
A ciência vem para atualizar o conhecimento e ajudar na decisão da melhor conduta para o paciente. João Paulo Pretti Fantin
Produção científica pode ajudar na residência médica
Além do aprendizado acadêmico, participar de pesquisas também pode trazer vantagens na seleção para residências médicas. Isso ocorre porque muitas instituições avaliam o currículo dos candidatos, incluindo publicações científicas, apresentações em congressos e participação em projetos de pesquisa.
“Cada residência tem um edital e define o peso do currículo. Hoje, a prova teórica costuma ter maior peso, mas, quando os candidatos têm notas semelhantes, a pontuação no currículo pode fazer diferença”, afirma Fantin.
Apresentar trabalhos em congressos ou publicar artigos científicos demonstra interesse e dedicação. “Para quem avalia, isso mostra que o aluno teve contato com metodologia científica e se aprofundou em determinados temas”, diz.
Artigos científicos são essenciais para médicos formados
Após a formação, acompanhar artigos científicos se torna ainda mais importante. Segundo o especialista, grande parte das atualizações médicas surge primeiro em estudos publicados em revistas científicas, antes de aparecer em livros.
“Os livros demoram para incorporar novos conhecimentos. Já os artigos trazem resultados recentes que podem mudar completamente a conduta médica”, afirma.
Um exemplo citado por Fantin é um estudo recente sobre tratamento para câncer de bexiga, do qual sua equipe participou. Até então, o tratamento realizado antes da cirurgia aumentava a sobrevida dos pacientes em cerca de 8%. Com a associação de uma nova imunoterapia, esse índice passou para 33%.
“Isso representa quase cinco vezes mais sobrevida. Esse tipo de informação ainda não está nos livros, mas já pode mudar a forma como tratamos os pacientes”, explica.
Carreira de pesquisador exige pós-graduação
Para quem deseja seguir carreira acadêmica, o caminho passa, em geral, pela pós-graduação stricto sensu — mestrado e doutorado.
“Para se tornar pesquisador, é necessário ter titulação acadêmica, pois isso permite orientar alunos, obter financiamento e desenvolver projetos científicos”, afirma Fantin.
Ele próprio ingressou diretamente no doutorado após a graduação, impulsionado pela participação em iniciação científica com bolsa e pela publicação de artigos em revistas internacionais.
Além disso, hospitais universitários e instituições com tradição em pesquisa oferecem maior infraestrutura para o desenvolvimento científico.
“Pesquisa exige estrutura: laboratório, pacientes, estatísticos, financiamento e equipes multidisciplinares. Por isso, normalmente ocorre em grandes instituições”, diz.
