Da nota ao plano: como transformar seu desempenho no Enem em estratégia

No Brasil, a nota do Enem deixou de ser apenas um resultado para se tornar uma estratégia de futuro

PRISCILLA VIERROS

17/11/2025 • 14:29 • Atualizado em 17/11/2025 • 14:29

A nota não diz quem você é, mas mostra onde você pode chegar

A nota não diz quem você é, mas mostra onde você pode chegar

Divulgação/Freepik

Entrar em Medicina no Brasil exige mais do que uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Exige planejamento, maturidade e, sobretudo, entender que a prova é o início de um processo e não o ponto final. Para orientar estudantes e famílias nesse período decisivo, conversamos com Giba Alvarez, engenheiro, educador, diretor do curso da Poli e presidente da Fundação Poli Saber, que há anos acompanha de perto candidatos que miram as vagas mais concorridas do país.

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Ao longo dos anos, o Enem deixou de ser apenas uma forma de avaliação e se consolidou como o principal acesso ao ensino superior. A nota pode ser usada no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que possibilita o acesso às principais universidades públicas; no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas integrais e parciais em instituições particulares; no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que permite financiamento estudantil; além de processos de ingresso direto de centros universitários e até para oportunidades internacionais.

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Para Alvarez, entender que o Enem não é apenas uma nota, mas sim uma ferramenta estratégica de planejamento de futuro é fundamental. Ele reforça ainda que a decisão sobre qual caminho seguir não precisa, e não deve, ser solitária. “O estudante jovem muitas vezes não tem maturidade para planejar sozinho seu futuro”, diz.

Os três pilares para escolher Medicina

O educador explica que a decisão deve considerar três pilares: eu quero, eu posso e eu devo.

Eu quero: envolve uma escolha consciente. “É preciso vivenciar a profissão: visitar hospitais, conversar com profissionais, entender a rotina. Não dá para escolher pelo status”, diz Alvarez. Segundo ele, muitos estudantes percebem que não desejam o curso apenas depois de ingressar, o que reforça a necessidade de experiências prévias.

Eu posso: considera nota, renda familiar e mobilidade. A ampliação do Ministério da Educação (MEC), que permite usar as três melhores notas dos últimos exames do Enem, aumenta as possibilidades. Alvarez reforça que o estudante deve avaliar deslocamento, custos e permanência. Em Medicina, ele aponta que “notas a partir de 780 pontos abrem portas em muitas instituições”.

Eu devo: representa a ação. “Se eu quero e posso, então devo agir. Planejamento sem execução não funciona”, afirma. Para ele, o estudante deve analisar a nota com calma e envolver a família e professores no processo de decisão.

Como se planejar até sair o resultado

Enquanto a nota oficial não é divulgada, a orientação é reduzir a ansiedade e preparar-se para as próximas etapas. “Medicina é um projeto de longo prazo. A aprovação é um processo, não um evento”, diz.

O primeiro passo é entender como funcionam os sistemas de seleção. No Enem, não se calcula média aritmética: cada universidade do Sisu adota pesos próprios para cada área e para a redação. Basta consultar o painel do programa para verificar a compatibilidade das notas. O mesmo vale para o Prouni e o Fies, que utilizam a pontuação do exame, mas têm regras específicas.

Alvarez recomenda acompanhar apenas informações oficiais e estar atento às comunicações das universidades, feitas principalmente por e-mail.

Após meses de preparação, a espera é parte natural do processo. “Você passou por uma maratona. Aproveite o fim do ano, recupere energia. A ansiedade não pode dominar esse período”, aconselha.

O educador reforça que, independentemente do resultado, o estudante já sai transformado. “Ao concluir o Enem, você se torna mais maduro e consciente do que funcionou ou não. Isso já é uma conquista”, afirma.

“Diminua a ansiedade, acompanhe as datas dos programas oficiais e lembre-se: Medicina é um projeto de longo prazo e todas as rotas devem ser analisadas”, conclui.

A fase pós-prova é crucial. É quando ansiedade e insegurança costumam aparecer. Mas, segundo Alvarez, não é um tempo para sofrer, é um tempo para se organizar. Confira as dicas do educador: