O jornalista e diretor geral de conteúdo do Grupo Bandeirantes, Rodolfo Schneider, fez uma análise contundente sobre a megaoperação policial no Complexo do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 110 mortos e 113 presos, na última terça-feira (28).
Durante o Melhor da Tarde desta quarta-feira (29), Schneider reconheceu a necessidade da operação para dar uma “resposta” ao Comando Vermelho (CV), mas afirmou que a falta de um plano estratégico de longo prazo para o Rio de Janeiro é o principal problema.
Megaoperação no Rio de Janeiro não terá efeito real sem planejamento estratégico, diz Schneider
Rodolfo Schneider destacou que a operação, por mais necessária que seja para apreender fuzis e combater o crime, não resolve a realidade da população. "Hoje, amanhã, depois de amanhã, o Complexo do Alemão estará da mesma maneira," afirmou.
Ele afirmou que o Rio de Janeiro precisa de uma estratégia de Estado que vá além do confronto policial, visando retomar o território integralmente. Sem isso, a velha tática é apenas "enxugar gelo," pois os criminosos mortos serão rapidamente substituídos por jovens cooptados pelo tráfico.
Imagem de violência no Rio de Janeiro é péssima para o Brasil internacionalmente
A imagem da violência no Rio de Janeiro é "péssima para o Brasil," segundo Schneider. A insegurança leva a um êxodo de moradores e prejudica os negócios, afinal, "Quem quer investir num lugar assim? Quem tem segurança para viver num lugar assim?"
O jornalista citou cases internacionais de sucesso que deveriam ser seguidos no Brasil para lidar com o problema de segurança do Rio de Janeiro:
Nova York (Rudolph Giuliani): A adoção de uma política de tolerância zero, unindo Judiciário e polícia, mudou a realidade da cidade, antes dominada por gangues.
Medellín (Colômbia): O Estado, após enfrentar o cartel de Pablo Escobar, entrou nas comunidades com urbanização, alargamento de vias, construção de teleféricos e regularização fundiária, dando título de propriedade aos moradores.
Para Schneider, o Estado não pode apenas "virar as costas," citando o exemplo de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Costa Barros que quase foi fechada após ser invadida por bandidos.
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