
Operação contra o Comando Vermelho
Reprodução/Bandplay
Deflagrada na manhã desta terça-feira (28), a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, deixou ao menos 126 mortos, segundo a Polícia Militar, e 132 segundo a Defensoria Pública do Rio de Janeiro. Já de acordo com o governador do Rio de Janeiro, são 58 vítimas. O delegado e secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, contabiliza 119 mortos.
Corpos foram retirados da mata desde a madrugada de hoje e estão enfileirados na praça São Lucas, na Penha.
Para o diretor de jornalismo da Band, Rodolfo Schneider, a megaoperação expôs como o Complexo do Alemão se tornou um santuário e centro de comando para criminosos de todo o país. Leia a análise sobre o assunto: "Complexo do Alemão virou o bunker do tráfico no Brasil"
Balanço Geral da Megaoperação
- Nesta quarta-feira (29), a chacina resultou ao menos 126 mortos, segundo a Polícia Militar, e 132 segundo a Defensoria Pública do Rio de Janeiro. O delegado e secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, contabiliza 119 mortos. Já de acordo com o governador do Rio de Janeiro, são 58 vítimas.
- Há quatro policiais mortos. Saiba quem são os policiais mortos.
Confira as últimas informações
- As forças de segurança do Rio de Janeiro montaram um “muro do Bope” para tentar conter o avanço de criminosos durante a megaoperação. A tática, segundo afirmou Marcelo Menezes, secretário da Polícia Militar do Rio de Janeiro, consistiu em encurralar os criminosos na mata que cerca os complexos do Alemão e da Penha.
- Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fizeram críticas a megaoperação. Dino chamou de "circunstância terrível, trágica". Já o decano Gilmar Mendes classificou a operação no Rio como "lamentável episódio".
- O número de mortos no Rio de Janeiro, já ultrapassa o total de vítimas do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo. Na ocasião, a Polícia Militar de São Paulo entrou no Pavilhão 9 da Casa de Detenção para conter uma rebelião e matou 111 presos.
- O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação não foi comunicada previamente sobre a megaoperação. Segundo ele, a Superintendência Regional da PF no Rio chegou a ser procurada pela inteligência da Polícia Militar, mas apenas para uma conversa inicial sobre a possibilidade de colaboração.
- Por volta das 11h, Cláudio Castro afirmou que megaoperação representa “o início de um grande processo” no combate ao crime organizado e que, na verdade, o número de mortes é 58. Castro também disse que trabalha “com tranquilidade” para defender a ação e classificou os quatro policiais militares mortos como as “verdadeiras quatro vítimas”. O governador ressaltou o pedido de apoio federal para reforçar “o poder bélico e financeiro” das forças de segurança.
- Lula se reuniu no período da manhã com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para discutir a megaoperação. Três pontos principais foram apresentados pelo presidente, como a necessidade do estado do Rio pedir para que a GLO intensifique a ajuda ao estado.
- Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, vão levar a Cláudio Castro uma proposta de atuação do Exército em áreas federais, como portos e aeroportos, modelo que já foi adotado em 2023.
- O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, determinou a manutenção do reforço no policiamento em todo o estado nesta quarta-feira (29), um dia após a megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio.
- Moradores dos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, relatam nesta manhã que estão retirando corpos da área de mata da região desde a madrugada. Imagens recebidas pela reportagem da BandNews FM mostram mais de 60 corpos enfileirados na praça São Lucas, na Penha. Não há relatos de tiros na região. Uma perícia será realizada. Há informações de que os corpos encontrados hoje não foram computados no balanço oficial de morte. Caso a informação se confirme após a perícia, o número de mortes ultrapassará 120.

Corpos enfileirados na praça São Lucas, na Penha | Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
- Por volta das 6 horas desta quarta, a cidade do Rio voltou ao estágio 1, considerado de normalidade, segundo a prefeitura. Entenda como funciona a classificação dos estágios operacionais da cidade.
- Apontado como líder do tráfico no Complexo da Penha e alvo de 20 mandados de prisão, Edgard Alves Andrade, o "Doca da Penha" ou "Urso", ainda é procurado pela polícia na manhã desta quarta. "Doca" é um dos criminosos mais procurados do estado e é investigado por mais de 100 homicídios. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil por informações sobre o paradeiro do traficante do Comando Vermelho.
- Ruas vazias: Por volta das 5h30 desta quarta-feira (29), a cidade do Rio amanheceu sem interdições ou barricadas nas principais vias. Ouvintes da BandNews FM Rio relatam policiamento reforçado em diversas partes da cidade e pontos de ônibus vazios. Durante a operação, 71 linhas de ônibus foram afetados e mais de 200 itinerários precisaram ser alterados.
- Nesta quarta-feira (29), as duas maiores universidades públicas da capital, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), já confirmaram que as aulas e atividades presenciais estarão suspensas durante o período da manhã. Em Niterói, na região metropolitana, a Universidade Federal Fluminense (UFF) foi ainda mais cautelosa: o campus não funcionará durante todo o dia.
- Às 21h, o presidente Lula retornou da viagem de Estado na Ásia, já está na Alvorada e conversou com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre a megaoperação realizada nesta terça-feira (28), no Rio de Janeiro. Lula convocou Casa Civil, AGU e Justiça, além da Polícia Federal para reunião nesta quarta-feira (29) para discutir a crise.
- Por volta das 19h, o governador do Rio, Cláudio Castro, afirmou que pedirá ao governo federal a transferência de dez presos identificados como líderes de facções criminosas no Estado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, disse ter recebido um relatório sobre a atuação desses detentos e declarou que acompanha a situação no Rio de Janeiro a partir do Palácio Guanabara.
- Às 18h50, o Brasil Urgente divulgou que o Planalto convocou reunião de emergência diante da escalada da violência no Rio de Janeiro. Governo quer definir uma estratégia de resposta.
- Às 16h30, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que Cláudio Castro não fez nenhum pedido de ajuda ao Ministério da Justiça, após o governador dizer que "segurança não é prioridade do governo federal".
- Belão foi capturado em uma casa, escondido na Favela da Chatuba, na Penha. Segundo investigação, ele organizava a logística e a distribuição de armamentos entre as comunidades da Penha e do Alemão.
- Por volta das 11h45, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, confirmou a prisão de Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, chefe do tráfico da comunidade do Quitungo. Ele é considerado braço direito de Edgard Alves Andrade, o Doca, apontado como um dos principais chefes do CV (Comando Vermelho).

- Pela manhã, a SuperVia antecipou o horário do pico vespertino entre 15h30 e 17h30. Trens circularam em intervalos reduzidos e 12 viagens extras partiram de diversas estações, incluindo Central, São Cristóvão, Madureira e Deodoro.
- A megaoperação no Rio obrigou o fechamento de 49 escolas municipais, sendo 32 no Complexo do Alemão e 17 no Complexo da Penha, além de 35 escolas da rede estadual sem aula.
- Criminosos incendiaram barricadas, usaram ônibus como bloqueios e impactaram ao menos dois corredores do BRT. A Rio Ônibus afirmou que mais de 120 linhas foram paralisadas e, algumas, tiveram os itinerários desviados na Penha e no Alemão.
- Além de moradores, um delegado da Polícia Civil foi atingido na perna, um cabo do Bope foi baleado de raspão e outros cinco policiais militares foram feridos.
- No confronto pela manhã, moradores de bairros vizinhos aos complexos foram atingidos por balas perdidas. Entre os feridos estavam Kelma Rejane Magalhães Chaves; Fernando Vinícius Lopes; Daniel Mello dos Santos e uma pessoa em situação de rua, que não foi identificada. Todos foram levados para o Hospital Getúlio Vargas.
- O MP-RJ aponta ainda a liderança no CV de Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos Costa Neves, o Gadernal; e Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão. Eles seriam responsáveis pela emissão de ordens sobre a comercialização de drogas, determinam as escalas dos criminosos nas “bocas de fumo” e nos pontos de monitoramento, e ordenam execuções de indivíduos que contrariem seus interesses.
- Ao todo, o Gaeco/MP-RJ denunciou 67 pessoas pelo crime de associação para o tráfico, além de três homens denunciados por tortura. Segundo os promotores, Edgar Alves Andrade, o Doca, é apontado como a principal liderança do CV (Comando Vermelho) no Complexo da Penha e em comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento –algumas recentemente conquistadas da milícia. Vídeos mostram fuga de criminosos durante megaoperação.
- A Secretaria de Segurança Pública informou que a ação foi elaborada a partir de dados de inteligência e visava conter a expansão do CV (Comando Vermelho) em áreas do Estado do Rio.
- Às 5h desta terça-feira (28), equipes das polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro iniciaram a entrada nas comunidades dos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense. Foram 2.500 policiais com 160 mandados de prisão, além de promotores do Gaeco/MP-RJ. A megaoperação foi batizada de Contenção e acontece após de mais de um ano de investigações.

Mapa da guerra: divisão de territórios entre facções no Rio
Nesta terça, os jornalistas Joel Datena e Rodolfo Schneider explicaram a complexa teia de poder que levou ao confronto e por que o complexo da Penha se tornou um alvo tão crucial.
Com a cor vermelha, o Comando Vermelho aparece como a facção predominante, com uma mancha quase contínua de poder que se estende por vastas áreas da capital, da Baixada Fluminense e, de forma avassaladora, em Niterói e São Gonçalo, do outro lado da Baía de Guanabara. Em verde, o Terceiro Comando Puro (TCP) disputa territórios, enquanto o azul e o amarelo demarcam a forte presença de milícias.
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