
Gianni Infantino, presidente da Fifa
REUTERS/Denis Balibouse/File Photo
Resumo
A crise política na Fifa envolve articulações de dirigentes para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária, com o objetivo de debater a possível destituição do presidente Gianni Infantino, após tentativas de vender direitos comerciais e suspeitas de ingerência em decisões da Copa do Mundo.
O Conselho da Fifa, composto por 37 membros, exige apoio de pelo menos 19 integrantes para formalizar a convocação da assembleia, enquanto o grupo opositor já somava números expressivos e condiciona a permanência de Infantino à instauração de uma investigação independente sobre o caso Balogun.
O isolamento político de Infantino aumentou com a oposição pública de entidades como Uefa, Concacaf e AFC, enquanto a Conmebol manteve posição neutra e clubes como o Real Madrid celebraram o recuo do projeto Fifa Forward Enterprise, destacando a necessidade de apoio de outros continentes para consolidar a destituição.
A crise política em torno de Gianni Infantino, presidente da Fifa, caminha para novos desdobramentos nos bastidores do futebol internacional. De acordo com informações do jornal britânico The Guardian, dirigentes da modalidade articulam a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de debater a destituição do dirigente do comando da entidade.
O plano para a realização da reunião de emergência já vinha sendo traçado antes mesmo do desgaste provocado pela tentativa de lançar a Fifa Forward Enterprise (FFE) — projeto que previa a alienação de direitos comerciais do órgão e de suas principais competições, como a Copa do Mundo, para o capital privado.
Origem da crise: caso Balogun e ingerência política
A onda de insatisfação entre os cartolas ganhou força com suspeitas de ingerência técnica durante a última Copa do Mundo. O estopim ocorreu na revogação do cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun, um dos principais nomes da seleção dos Estados Unidos no torneio.
Na ocasião, o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou publicamente ter telefonado para Infantino para solicitar o cancelamento da suspensão do jogador.
Como funciona o Conselho da Fifa
O Conselho da Fifa — instância máxima deliberativa da entidade — conta com 37 integrantes: Gianni Infantino, oito vice-presidentes e 28 delegados indicados pelas seis confederações continentais.
Pelas diretrizes estatutárias da instituição, o apoio de 50% do colegiado (ou ao menos 19 dos 37 membros) é requisito obrigatório para formalizar o pedido de convocação da Assembleia Geral Extraordinária.
Os bastidores indicam que o grupo de dirigentes contrários à permanência de Infantino já somava números na casa dos dois dígitos antes da controvérsia recente.
Segundo o The Guardian, a estratégia do grupo prevê exigir a renúncia imediata do presidente caso ele se negue a instaurar uma apuração independente sobre o episódio envolvendo o atleta norte-americano.
Isolamento político e papel das confederações
O racha atual se consolidou como o maior revés político sofrido por Infantino desde que assumiu a liderança da entidade, em 2016. Entidades como a Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) alinharam-se publicamente em oposição ao mandatário. A recusa do projeto Fifa Forward Enterprise contou inclusive com a celebração do Real Madrid, apontado como o maior clube do mundo.
No aspecto matemático, Europa e América do Norte reúnem juntas 14 assentos entre os 37 conselheiros da Fifa, necessitando do respaldo de dirigentes de outras regiões para alcançar a margem de 19 votos exigida pelo estatuto.
Neste cenário de articulação, a Conmebol — órgão gestor do futebol na América do Sul — evitou assinar os manifestos de recusa e solicitou esclarecimentos adicionais sobre o projeto comercial antes de definir uma posição oficial.
Com informações da Estadão Conteúdo
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