Resumo
Júlio Casares não participou da audiência na Comissão de Ética e pediu o encerramento das investigações após renunciar ao Conselho e ao quadro social.
O São Paulo argumenta que o Estatuto impede a saída de um associado durante um processo disciplinar. A comissão terá cinco dias para anunciar o parecer.
O ex-presidente também enfrenta investigações do Ministério Público e da Polícia Civil sobre camarotes no MorumBis e supostos saques irregulares.
O ex-presidente Júlio Casares não compareceu à reunião da Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do São Paulo, marcada para esta quinta-feira (30). Investigado por suposta gestão temerária e atividades irregulares durante o mandato, ele agora aguarda o parecer que pode levar sua expulsão à votação.
Casares renunciou ao cargo de conselheiro e também comunicou sua saída do quadro associativo. Com base na Constituição Federal, seus advogados pediram o encerramento imediato das investigações internas.
A defesa cita o artigo 5º, inciso XX, que determina que ninguém pode ser obrigado a se associar ou permanecer associado. Na avaliação dos representantes do ex-presidente, a renúncia retiraria da Comissão de Ética a possibilidade de seguir com o processo.

Julio Casares, ex-presidente do São Paulo I Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC
São Paulo contesta saída do quadro social
O Conselho Deliberativo sustenta uma interpretação diferente. O órgão se apoia no Estatuto Social do São Paulo para afirmar que Casares não poderia deixar o quadro de sócios enquanto responde a um procedimento disciplinar.
O regimento do clube estabelece que pedidos de desligamento não devem ser aceitos durante uma investigação administrativa. A restrição permanece válida até a conclusão do processo.
Diante do impasse entre a norma interna e o argumento constitucional apresentado pela defesa, a Comissão de Ética terá cinco dias para anunciar sua decisão.
Caso o processo avance, o parecer poderá recomendar ao Conselho Deliberativo a abertura da votação sobre a expulsão de Casares.
Defesa alega restrição de acesso a documentos
O advogado Bruno Borragine, responsável pela defesa do ex-presidente, afirmou ao Estadão que Casares enfrenta um “processo de exceção”.
Segundo o advogado, a defesa não conseguiu acessar documentos necessários para preparar sua manifestação diante da Comissão de Ética. Borragine sustenta que o próprio colegiado negou o acesso ao material e, com isso, restringiu o direito de defesa do ex-dirigente.
Renúncia encerrou processo de impeachment
Casares assumiu a presidência do São Paulo em 2021 e deixou o cargo em janeiro, depois de o Conselho Deliberativo aprovar seu afastamento.
A renúncia encerrou o processo de impeachment, que ainda passaria por uma assembleia de sócios e poderia confirmar sua saída definitiva da presidência.
Com a mudança, o então vice-presidente Harry Massis assumiu o comando do clube. O São Paulo realizará uma nova eleição presidencial no fim deste ano.
Investigações fora do clube
Casares também é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
As apurações envolvem um possível esquema clandestino de utilização de camarotes no MorumBis e suspeitas de saques irregulares dos cofres do São Paulo.
Com Agência Estado
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