
Julio Casares, presidente do São Paulo
Divulgação / SPFC
A votação do pedido de impeachment de Júlio Casares, presidente do São Paulo, acontece nesta sexta-feira (16) e promete ser um dos capítulos mais delicados da crise política vivida pelo clube. A reunião do Conselho Deliberativo foi mantida pela Justiça e terá regras específicas que podem definir o afastamento provisório do mandatário tricolor.
A seguir, o Band.com.br reúne todas as informações essenciais sobre a votação.
Quando e onde será a votação
- Data: sexta-feira, 16
- Horário: 18h30
- Local: Salão Nobre do Estádio do Morumbi
- Formato: híbrido (presencial e online)
A realização no formato híbrido foi determinada pela Justiça após rejeição de recurso do clube, que defendia votação exclusivamente presencial.
Quais são as regras da votação
A liminar judicial definiu pontos centrais do processo. Veja como funciona:
- Voto híbrido: conselheiros podem votar presencialmente ou de forma remota
- Voto secreto: a escolha não será aberta, exigindo plataforma digital que assegure sigilo
- Eleitorado: apenas conselheiros titulares e vitalícios
- Total de aptos: 254 conselheiros
Quórum necessário
- Para instalar a sessão: presença mínima de 75% dos conselheiros
- Para aprovar o impeachment: 171 votos favoráveis (dois terços dos presentes)
Inicialmente, a interpretação da presidência do Conselho apontava necessidade de 191 votos, entendimento que foi derrubado pela decisão judicial.
O que mudou com a decisão judicial
A Justiça alterou dois pilares do processo:
- Formato da votação: passou a ser obrigatoriamente híbrido
- Cálculo do quórum: fixado em dois terços dos votos válidos, e não 75% do total do colegiado
A decisão foi tomada pela 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que entendeu não haver fundamento para restringir a participação remota dos conselheiros.
Por que Júlio Casares enfrenta um pedido de impeachment
O processo é motivado por acusações de gestão temerária e por investigações que envolvem a atual administração do clube. Entre os principais pontos estão:
- Saques de cerca de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo entre 2021 e 2025
- Movimentações consideradas atípicas pelo Coaf
- Apuração sobre depósitos em dinheiro na conta pessoal do presidente
- Investigação sobre possível esquema de venda irregular de camarotes no Morumbi
A Polícia Civil encaminhou o inquérito para uma vara especializada em crimes tributários, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A defesa de Casares afirma que todas as movimentações têm origem lícita, relacionadas a despesas operacionais do futebol, como arbitragem e premiações, e que os valores são passíveis de auditoria.
Qual é o cenário político da votação
O ambiente interno é de forte divisão:
- A oposição ganhou força após o afastamento de quatro grupos que antes apoiavam o presidente
- Esses blocos, juntos, podem chegar a cerca de 180 votos, número suficiente para aprovar o impeachment
- Casares mantém apoio firme de dois grupos, que somam aproximadamente 67 conselheiros
Apesar disso, nem todos os opositores declararam voto publicamente, o que mantém o cenário em aberto até a votação.
Quem assume o clube se o impeachment for aprovado
Caso o afastamento provisório seja aprovado, o comando do São Paulo passará para Harry Massis Junior, atual vice-presidente.
- Idade: 80 anos
- Sócio do clube desde 1964
- Conselheiro vitalício
- Vice-presidente desde 2021
- Integrante do grupo político Vanguarda, que rompeu com Casares
Massis permaneceria no cargo até o fim do mandato, enquanto uma Assembleia Geral de sócios seria convocada em até 30 dias para ratificar ou não a decisão do Conselho.
O que acontece depois da votação
Se o impeachment for aprovado:
- Casares é afastado provisoriamente
- Assembleia Geral decide em até 30 dias, por maioria simples
Se for rejeitado:
- Júlio Casares segue no cargo
- O processo é arquivado no âmbito do Conselho
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