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Como Victoria Kimie leva o olhar feminino ao desafio do Dakar 2026

Fotógrafa brasileira transforma técnica, experiência e sensibilidade em imagens de competições radicais

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

03/02/2026 • 12:16 • Atualizado em 03/02/2026 • 12:16

Victoria Kimie registrou o Rally Dakar com sensibilidade e técnica apurada

Victoria Kimie registrou o Rally Dakar com sensibilidade e técnica apurada

Victória Kimie/Divulgação

Victoria Kimie carrega na fotografia algo que vai além da técnica. Economista formada pela PUC São Paulo, nascida na capital paulista, ela construiu sua trajetória profissional a partir de experiências de vida profundas, atravessadas por maternidade, esporte, pausas e recomeços.

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Em 2026, seu nome ganhou projeção internacional ao integrar a cobertura do Rally Dakar, uma das competições mais desafiadoras do planeta, levando um olhar feminino para um bastidor historicamente dominado por homens.

Maternidade como eixo da vida e do trabalho

A rotina de Victoria é intensa e sem meio-termo. Ou ela está trabalhando intensamente fora de casa, ou trabalhando intensamente dentro dela, sempre conciliando tudo com a presença das filhas, que são seu ponto de equilíbrio.

A maternidade ocupa um lugar central em sua vida e influencia diretamente suas escolhas. O mesmo médico que realizou seu parto também acompanhou o nascimento das filhas, em uma trajetória marcada por cuidado e continuidade.

Em determinado momento, a família se mudou para Rafard, cidade do interior paulista conhecida como terra de Tarsila do Amaral, fortalecendo a relação com o tempo, o território e a criação.

Formação em economia e um período de transformação

Como filha mais velha da casa, Victoria sempre carregou senso de responsabilidade. Formou-se em Economia pela PUC São Paulo em um período exigente, já que engravidou durante o curso. Apesar dos desafios, viveu uma experiência marcante, engajada na vida universitária e na prática esportiva.

A graduação foi um divisor de águas na forma como passou a enxergar o mundo. Levar a filha para assistir à conclusão do curso simbolizou esse ciclo de amadurecimento. Após esse período, ficou sete anos afastada do mercado de trabalho formal, vivendo uma pausa que se tornaria fundamental para sua reinvenção profissional.

O encontro com a fotografia e a força da conexão

O retorno ao trabalho não veio por planejamento, mas por conexão. Durante uma partida de futevôlei, uma amiga pediu que ela registrasse algumas imagens. Victoria tinha uma câmera que usava em viagens de família e percebeu rapidamente que as pessoas se identificavam com seu olhar.

A fotografia sempre esteve presente em sua vida, apenas aguardava espaço. Nesse início, o fotógrafo Bruno Rua teve papel essencial, ensinando os fundamentos técnicos desde o começo. A troca entre os dois foi marcada por sintonia, aprendizado e confiança.

A emoção como elemento central da imagem

O que mais fascina Victoria na fotografia é capturar o instante exato. O momento em que alguém olha uma imagem e se pergunta como aquilo foi registrado. A adrenalina de estar no lugar certo e clicar no segundo certo.

Muitas vezes, um segundo atraso muda tudo. Ela sente a emoção do atleta, a tensão, o esforço e a entrega. Estar atento aos detalhes é o que transforma o registro em narrativa e faz com que a imagem vá além do óbvio.

Esporte como linguagem e território natural

A relação com o esporte vem desde a infância. Capoeira, natação, vôlei, futebol e handebol fizeram parte da formação corporal e emocional. A trilha sempre foi um território familiar.

Um dos marcos de sua carreira foi a cobertura do Transpyr Coast to Coast, evento de mountain bike realizado nos Pirineus, na Espanha, atravessando montanhas por vários dias. Já o Dakar foi uma verdadeira escola.

Mais do que a grandiosidade do evento, a experiência de trocar ideias e vivências com fotógrafos que eram referências foi transformadora. A convivência mostrou que quando a troca é genuína, o ambiente responde da mesma forma.

Rotina simples e escolhas conscientes

Fora das competições e das grandes coberturas, Victoria mantém uma rotina simples. Corre, pratica musculação, dorme bem e, em alguns dias, utiliza meditação guiada à noite para desacelerar.

Sua alimentação é equilibrada, baseada em comida de verdade, sem restrições extremas. Independentemente do lugar onde esteja, seu ponto de referência são as filhas, que seguem sendo seu maior alicerce.

Curiosidade como conselho para quem quer começar

Para quem deseja seguir na fotografia, o conselho é direto e prático. Curiosidade. Pesquisar, testar, errar e insistir. Criar intimidade com a câmera é o que gera segurança. Técnica se aprende fazendo, repetindo e observando.

Entre suas referências pessoais estão o ator Wagner Moura, o livro “Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez, e a frase do “Pequeno Príncipe” que resume bem seu olhar sobre o mundo e sobre a imagem: só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.

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