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Consumir menos virou símbolo silencioso de status na internet

Movimentos como de-influencing e “no-buy challenge” começam a mudar hábitos de consumo

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

04/06/2026 • 12:00 • Atualizado em 04/06/2026 • 12:00

Comprar menos agora é tendência descolada

Comprar menos agora é tendência descolada

Canva

Comprar sem pensar perdeu parte do charme que dominou a internet durante anos. Em vez de mostrar sacolas gigantes, recebidos intermináveis e rotinas baseadas em lançamentos constantes, uma parcela crescente de criadores de conteúdo começou a incentivar justamente o contrário: comprar menos.

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O movimento ganhou força através de tendências como de-influencing, underconsumption core e desafios de “no buy”, nos quais usuários passam semanas ou meses evitando compras consideradas impulsivas ou desnecessárias.

A mudança acontece depois de um período marcado por excesso de consumo estimulado por vídeos rápidos, tendências virais e produtos que desapareciam das prateleiras poucas horas após viralizar. Parte do público começou a demonstrar cansaço dessa lógica acelerada.

Em muitos casos, a nova estética do consumo racional não está ligada apenas à economia financeira. O discurso mistura sustentabilidade prática, ansiedade provocada por excesso de estímulo, acúmulo doméstico e sensação constante de insatisfação criada pelo consumo repetitivo.

Influenciadores internacionais ligados ao tema começaram a crescer justamente criticando produtos virais e hábitos de compra impulsivos. A britânica Venetia La Manna ganhou projeção defendendo consumo mais consciente dentro da moda, enquanto criadores ligados ao “underconsumption core” passaram a incentivar a reutilização de roupas, maquiagem e objetos já existentes dentro de casa.

A tendência também alterou a linguagem usada por parte dos criadores de conteúdo. Vídeos mostrando “o que eu parei de comprar”, “produtos que não valem o preço” e “coisas que você não precisa ter” começaram a gerar milhões de visualizações em plataformas digitais.

Relatórios recentes do Pew Research Center apontam crescimento da preocupação de consumidores mais jovens com sustentabilidade, excesso de consumo e impacto ambiental ligado ao desperdício cotidiano.

O mercado percebeu rapidamente essa mudança de comportamento. Marcas passaram a falar mais sobre durabilidade, reutilização e qualidade porque entenderam que parte do público começou a desconfiar da lógica baseada apenas em novidade constante.

Ao mesmo tempo, o consumo não desapareceu. O que mudou foi a maneira como ele passou a ser exibido. Em muitos ambientes digitais, ostentar excesso começou a gerar mais desconforto do que admiração. Curiosamente, consumir menos também começou a construir uma nova estética de status.

Repetir roupa, manter objetos antigos, reformar móveis e evitar compras impulsivas passaram a transmitir uma imagem ligada a controle, consciência e estabilidade. Depois de anos incentivando pessoas a comprar o tempo inteiro, a internet começou a descobrir que dizer “você não precisa disso” também pode gerar influência.

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