Mouhamed Harfouch conhecia pouco da cultura da Síria, terra natal de seu pai. Ele também enfrentou dificuldades com seu nome, sendo alvo de uma série de confusões em relação à pronúncia, chegando a pedir para mudá-lo no cartóro. Com o tempo o ator compreendeu suas raízes e passou a abraçar a própria identidade. É essa história que é contada no espetáculo “Meu Remédio”, em cartaz em São Paulo e idealizada e produzida pelo próprio Harfouch.
"Eu estava buscando algo, pois acho muito importante o ator se produzir. Pensava em criar um projeto próprio. Não estava encontrando nada até que, de repente, pensei no meu pai, no meu nome e na dificuldade que tive durante muito tempo para aceitar minha origem e meu nome. Era difícil pela exposição que me causava na infância e no colégio, já que as pessoas não sabiam pronunciá-lo. Comecei a rememorar esses episódios e percebi que precisava falar sobre a força do meu pai e a trajetória do imigrante", destaca o artista em entrevista ao Band.com.br.
O mergulho na própria história acabou surpreendendo o ator, que descobriu coisas sobre si e sobre a família que ele nem imaginava quando iniciou o projeto, que já teve uma temporada de sucesso anterior em São Paulo e no Rio de Janeiro.
“No primeiro momento, eu me perguntava se as pessoas se interessariam por uma história tão pessoal. Tive muitas dúvidas no processo, mas fui escrevendo sem me criticar. Achava que eram memórias bobas, mas o João Fonseca (diretor da pela) me incentivava a continuar. Quando cheguei ao final, percebi que tinha exatamente o que queria dizer e que a peça estava pronta.. Agora que já estamos há quase dois anos em cartaz, vejo que estamos falando do Brasil — um país plural e diverso, forjado por tantas culturas que contribuíram na gastronomia, na música, na literatura, na indústria, no comércio e na agricultura”, ressalta ele.
Interação com o público
“Meu Remédio” é um espetáculo bastante interativo, no qual o ator conversa com a plateia e tenta descobrir seus nomes e suas origens. Essa interação ajuda o artista a reforçar a mensagem da peça: a da pluralidade brasileira.
“Em um dos espetáculos, recebemos uma espectadora chamada Francislice, nome que era a junção das avós Francisca e Alice. Em outro dia, conhecemos o Jackson, que não era por causa do Michael Jackson, mas sim do Jackson do Pandeiro. As pessoas gargalham muito, é uma comédia afetiva. O espetáculo tem um traço que une a todos nós: todo mundo recebe um nome ao nascer. Muita gente tem dificuldade em aceitar o próprio nome na juventude e depois passa a gostar. É interessante ver que um problema que parecia individual, na verdade, é compartilhado por muitos”, afirma Harfouch.
Amor pelo teatro
O espetáculo também retrata como Mouhamed iniciou sua trajetória artística. De certa forma, ele é também uma carta de amor do ator à sua carreira.
“O teatro me deu a oportunidade de me entender como indivíduo, cidadão e artista, e olhar para tudo isso como um capital. Bato muito nessa tecla no espetáculo: todos somos únicos, especiais e singulares. Nossa força está exatamente aí. Não precisamos ser iguais a todo mundo; que bom que somos diferentes e podemos aprender, rir de nós mesmos e trocar com o outro. O Brasil fez e faz isso muito bem”, destaca ele.
Veja a entrevista completa no acima.
Serviço
- Espetáculo: Meu Remédio
- Gênero: Comédia Afetiva / Solo Teatral
- Ator e Dramaturgia: Mouhamed Harfouch
- Direção: João Fonseca
- Classificação Indicativa: 12 anos
- Duração: 70 minutos
- Local: Teatro Multiplan Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 - Vila Gertrudes)
- Horários: Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h
- Ingressos: bilheteria física ou pleo site/aplicativo Sympla (entre R$ 60 e R$ 120)
