
Hábitos saudáveis garantem saúde e disposição a Mick Jagger
Rerodução/Redes socias
Mick Jagger sempre foi visto como um artista praticamente inesgotável. Corridas de um lado para o outro do palco, apresentações de mais de duas horas e turnês mundiais ajudaram a construir a imagem de um cantor que parecia imune ao tempo. Aos 82 anos, porém, o que mais impressiona já não é a intensidade dos movimentos, mas a capacidade de continuar entregando performances de alto nível sem tentar repetir exatamente o homem que era aos 30 ou aos 40 anos.Diferentemente da imagem de um astro cercado por fórmulas milagrosas, Jagger atribui sua disposição a hábitos bastante previsíveis: exercícios físicos, moderação com álcool e drogas desde a meia-idade e preparação intensa antes das turnês. Banhos de gelo e saunas, hoje populares nas redes sociais, não fazem parte de sua rotina. Para ele, a consistência vale mais do que modismos.
O momento também coincide com uma fase incomum dos Rolling Stones. Depois de um longo intervalo sem discos inéditos, a banda lançou dois álbuns de estúdio em três anos e chega a Foreign Tongues vivendo uma renovação criativa que poucos imaginavam possível após mais de seis décadas de carreira. Em vez de apostar apenas na nostalgia, Jagger continua interessado em novos artistas, novas referências e novas formas de escrever músicas.
A longevidade apresentada por Jagger não aparece como um objetivo em si. Ela surge como consequência da curiosidade permanente. Enquanto muitos artistas passam a revisitar apenas o próprio passado, ele fala sobre Burna Boy, Rosalía, Bruno Mars e produtores contemporâneos com a mesma naturalidade com que relembra Little Richard ou James Brown. A carreira continua olhando para frente.
Esse comportamento acompanha uma transformação maior. Durante décadas, envelhecer no entretenimento significava reduzir o ritmo ou viver apenas da própria história. Hoje, músicos veteranos convivem com um público que espera repertório novo, turnês inéditas e criatividade contínua. Permanecer em atividade deixou de ser suficiente; é preciso continuar relevante.
No caso de Mick Jagger, o espetáculo já não está apenas na energia de quem percorre um palco durante duas horas. Está na capacidade de aceitar que o corpo muda, adaptar a performance sem abrir mão da essência e provar que criatividade não tem prazo de validade. É justamente essa combinação que explica por que, aos 82 anos, ele continua sendo tratado menos como uma lembrança do rock e mais como um artista que ainda participa do presente.

