
Marcello Casal JrAgência Brasil
A ideia de manter um relacionamento “pelos filhos” ainda é comum, mas especialistas apontam que a qualidade do ambiente familiar tem impacto mais relevante no desenvolvimento emocional das crianças do que a manutenção de um casamento marcado por conflitos.
De acordo com o psicólogo Filipe Colombini, especialista em orientação parental, é fundamental que os pais avaliem com honestidade a dinâmica da relação. “Quando os pais não estão felizes na relação, isso acaba refletindo diretamente no vínculo com os filhos. Não existe ex-pai ou ex-mãe, mas existe ex-marido e ex-mulher”, afirma.
Situações de brigas frequentes, tensão constante e dificuldades de diálogo podem tornar o ambiente familiar emocionalmente desgastante. Nesses casos, segundo o especialista, a separação pode representar uma alternativa mais saudável para todos os envolvidos. Embora o divórcio esteja associado a sentimentos como tristeza e luto, também pode trazer alívio e possibilitar uma reorganização emocional da família.
“A separação pode, sim, ser positiva para a criança quando o relacionamento já não funciona mais enquanto casal. É um mito acreditar que evitar o divórcio sempre protege os filhos”, diz Colombini.
O modo como a separação é conduzida, no entanto, é determinante para minimizar impactos negativos. A recomendação é que a comunicação com os filhos seja clara, respeitosa e adequada à idade, além de garantir espaço para que expressem dúvidas e sentimentos diante das mudanças.
Outro ponto destacado é a manutenção da qualidade da parentalidade após o divórcio. O vínculo afetivo, o cuidado e a presença dos pais continuam sendo essenciais, independentemente da relação conjugal.
Alterações de comportamento, isolamento, agressividade, queda no desempenho escolar e mudanças no sono ou na alimentação podem indicar que a criança está sendo afetada pelo ambiente familiar. Muitas vezes, essas reações são formas de expressar emoções que ainda não conseguem ser verbalizadas.
A exposição constante a conflitos também pode influenciar a forma como a criança aprende a se relacionar ao longo da vida. “Os pais são modelos. Muito mais do que o que é dito, é o que é vivido no dia a dia que impacta a criança”, destaca o especialista.
Diante desse cenário, Colombini reforça que a prioridade deve ser a construção de um ambiente emocionalmente saudável. Em alguns casos, isso pode significar a reorganização da estrutura familiar por meio do divórcio, desde que conduzido de forma consciente e com foco no bem-estar dos filhos.

