
Queda de avião em Vinhedo
REUTERS/Carla Carniel
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulga, nesta quinta-feira (23), o relatório final da investigação técnica sobre a queda de um avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024 e provocou a morte das 62 pessoas que estavam a bordo do voo 2283, que seguia de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP).
O documento será apresentado às 17h durante uma coletiva de imprensa na sede do Cenipa, em Brasília (DF), com a participação do chefe do órgão e dos investigadores responsáveis pelo caso. As famílias das vítimas terão acesso antecipado ao relatório final, em uma reunião reservada marcada para às 13h, também na sede da aeronáutica.
Na sequência da coletiva, o relatório será disponibilizado para consulta pública no painel do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).
A divulgação ocorre pouco menos de dois anos após o acidente e cerca de três semanas depois de o Cenipa informar que aproximadamente 95% da investigação já havia sido concluída.
No início deste mês, o órgão explicou que os peritos finalizaram a análise das caixas-pretas, dos motores, do sistema de degelo e de mais de 15 mil voos da frota da companhia, além de entrevistas com pilotos, mecânicos e familiares da tripulação.
Antes da publicação, o documento também passou pela revisão das autoridades da França e do Canadá, países fabricantes da aeronave ATR 72-500 e de seus motores.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a investigação conduzida pelo Cenipa como objetivo a prevenção de novos acidentes e busca identificar os fatores que contribuíram com o caso, sem apontar culpados ou levantar responsabilizações civis e criminais.
Apesar disso, as conclusões da aeronáutica poderão contribuir com as apurações conduzidas pela Polícia Federal e colaborar com processos civis e criminais.
O que diz a defesa dos familiares
Representante da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, o advogado Leonardo Amarante afirmou que a expectativa é de que o relatório ajude a esclarecer a sequência de eventos que levou à tragédia e contribua para mudanças na segurança da aviação brasileira.
“A expectativa das famílias nunca foi o mero punitivismo individual, mas a completa elucidação dos fatos, para que essa tragédia seja um divisor de águas na segurança aérea brasileira”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o escritório acompanha a investigação criminal conduzida pela Polícia Federal e avalia o ajuizamento de uma ação civil coletiva pelo dano social causado pelo acidente.
Segundo a defesa, a medida não interfere nas indenizações individuais e busca promover mudanças na cultura de segurança das companhias aéreas e na fiscalização do setor.
Relembre o caso
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) na tarde de 9 de agosto de 2024. A bordo estavam 58 passageiros e quatro tripulantes.
Segundo as informações já divulgadas pelo Cenipa durante a investigação, o ATR 72-500 enfrentou condições favoráveis à formação de gelo durante o voo.
Nos minutos finais, o sistema registrou alertas relacionados à perda de desempenho e à necessidade de aumento de velocidade, seguidos por um aviso de estol. Em seguida, a aeronave perdeu sustentação, entrou em um movimento de giro descontrolado, conhecido como “parafuso chato”, e caiu sobre um condomínio residencial em Vinhedo. Todos os ocupantes morreram.
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