
Tenente Pimentel
Divulgação/PMESP
O atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, foi planejado há pelo menos três meses. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, em conversa com o Estadão nesta quarta-feira (1). Segundo ele, as investigações apuraram que um dos suspeitos envolvidos no crime já monitorava a casa do policial antes do ataque. "Isso aconteceu há uns três meses", afirmou.
Ronickson Pimentel foi alvo de uma série de disparos quando estava parado com a moto em um semáforo em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, no último sábado, 27. Ele foi surpreendido por dois criminosos, que se aproximaram também em uma motocicleta e abriram fogo. O oficial foi baleado na cabeça, socorrido pelo helicóptero Águia e segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Nesta quarta, a polícia informou que identificou o suspeito de efetuar os disparos. Nico Gonçalves afirmou não poder dar detalhes sobre o atirador, dizendo apenas que ele tem "diversas passagens" pela polícia. O secretário acrescentou que as investigações ainda apuram as motivações do crime. "Precisamos prender primeiro para depois descobrir o que levou a esse ataque contra o policial", declarou.
A ação dos executores foi complexa. Documentos obtidos pelo Estadão evidenciam a participação de outros três veículos usados para dar cobertura aos atiradores, facilitar a fuga dos envolvidos e ocultar vestígios. A apuração da polícia já havia apontado o uso de pelo menos quatro veículos na emboscada, com o rastreamento feito por câmeras inteligentes dos sistemas Smart Sanca e Smart Sampa.
No domingo, 28, dois homens foram presos temporariamente por suspeita de envolvimento no crime. Eles são investigados por darem cobertura logística aos autores dos disparos, que seguem foragidos. O caso é conduzido pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, com suporte da Corregedoria da PM.
Ronickson é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, assassinada no sequestro mais longo da história de São Paulo, em outubro de 2008. Na ocasião, o ex-namorado de Eloá, Lindemberg Alves, invadiu um apartamento em Santo André onde a jovem, então com 15 anos, estava com amigas. O episódio terminou de forma trágica, após cinco dias de negociações, com a morte da adolescente.
No campo da saúde, o quadro do tenente apresenta sinais de melhora. Segundo boletim divulgado pelo 1º Batalhão de Polícia de Choque (Rota) nesta quarta, Pimentel teve evolução clínica e resposta satisfatória às medidas adotadas pelos médicos, que preveem a realização de uma nova tomografia de crânio. Desde terça-feira, a equipe reduz a sedação e o uso de medicamentos para controle da pressão, com boa resposta ao tratamento neurológico.
Também na terça, a mulher do tenente, Cintia Pimentel, divulgou uma carta aberta nas redes sociais agradecendo as mensagens de apoio e atualizando o estado emocional da família. Ela afirmou acompanhar com esperança a evolução do quadro clínico. "Minha prioridade agora é estar ao lado do Ronickson e da minha família. Seguimos esperançosos com as pequenas melhoras do seu quadro, celebrando cada passo da recuperação", escreveu.
Com Estadão Conteúdo
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