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EUA e Irã se reúnem no Paquistão para negociações durante cessar-fogo

Enquanto o governo paquistanês expressa otimismo por um engajamento construtivo, o clima entre as partes principais é de profunda desconfiança

Da redação
DA REDAÇÃO

11/04/2026 • 08:21 • Atualizado em 11/04/2026 • 08:27

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, lidera uma delegação de alto nível em Islamabad para negociações cruciais com o Irã sobre o cenário de guerra. Acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner, Vance foi recebido por autoridades do alto escalão do Paquistão, incluindo o chanceler Ishaq Dar e o chefe do exército, em uma capital que se encontra praticamente paralisada por um rígido esquema de segurança que assemelha-se a um toque de recolher.

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Enquanto o governo paquistanês expressa otimismo por um engajamento construtivo, o clima entre as partes principais é de profunda desconfiança, com mediadores da China, Arábia Saudita, Egito e Catar atuando nos bastidores para facilitar o diálogo.

O impasse diplomático é evidente nas declarações prévias ao encontro. Enquanto o vice-presidente americano advertiu o Irã sobre as consequências de um confronto com os EUA, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, condicionou o avanço das conversas ao desbloqueio de ativos financeiros do país e a um cessar-fogo israelense no Líbano.

Complementando a postura defensiva, o chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que Teerã reagirá a qualquer agressão. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, reforçou a gravidade do momento, descrevendo o atual estágio do conflito como uma fase decisiva de "vai ou racha".

Simultaneamente, a crise entre Israel e Líbano ganha um novo capítulo com negociações previstas para ocorrer em Washington na próxima terça-feira. No entanto, o caminho para a paz enfrenta obstáculos severos, já que Israel exige que o exército libanês assuma a responsabilidade de desarmar o Hezbollah — uma tarefa de viabilidade duvidosa dada a resistência histórica do grupo.

A situação é agravada pela insistência de Israel em manter a ofensiva contra a milícia libanesa mesmo durante tréguas com o Irã, o que ficou evidente após bombardeios recentes em Beirute que deixaram centenas de mortos e colocaram em risco a continuidade dos esforços diplomáticos na região.

França e Turquia defendem Líbano

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, manifestaram apoio, na manhã deste sábado (11) à inclusão do Líbano em um acordo de cessar-fogo envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Durante o diálogo, Macron reforçou a necessidade de uma saída política para a crise.

"Conversamos inicialmente sobre a situação no Oriente Próximo e Oriente Médio, para apelar ao respeito pelo cessar-fogo e à sua aplicação no Líbano, ao respeito pela liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e para sublinhar a necessidade de uma solução diplomática robusta e duradoura", disse no X.

Os chefes de Estado também discutiram o conflito na Ucrânia, defendendo o trabalho comum para contribuir para a "busca de uma paz justa e duradoura" e a importância de "garantias de segurança robustas para a Ucrânia".

No entanto, a situação no terreno permanece crítica após ofensivas militares severas. Na última quarta-feira, Israel disparou 160 mísseis contra o Hezbollah em um intervalo de apenas 10 minutos, resultando em mais de 300 mortes, seguidos por novos ataques na sexta-feira.