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Empresário ligado ao PCC agenciou atacante do São Paulo

Investigação aponta que Danilo Lima, o "Tripa", participou da venda de jogador para a Turquia; polícia apura lavagem de dinheiro e saques de R$ 11 milhões

Rafael Batalha
RAFAEL BATALHA

21/01/2026 • 17:41 • Atualizado em 21/01/2026 • 17:41

Estádio do Morumbi

Estádio do Morumbi

Staff Images/CONMEBOL

A Polícia Civil colocou o São Paulo Futebol Clube no centro de uma investigação que apura a infiltração do crime organizado no futebol profissional. O inquérito aponta que um empresário identificado como Danilo Lima de Oliveira, conhecido como "Tripa", agenciou a carreira de um atacante formado nas categorias de base do clube. Danilo é apontado pelas autoridades como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sócio oculto da empresa UJ Football Talent.

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As suspeitas ganharam força durante o desdobramento de outra investigação envolvendo o patrocínio da "Vai de Bet" no Corinthians. Ao analisar o caso, os delegados identificaram que o mesmo agente citado naquele processo também figurava como responsável pela negociação de um atleta do Morumbi. De acordo com os autos, "Tripa" participou diretamente da venda deste jogador para um clube da Turquia em agosto de 2024.

Delação e Lavagem de Dinheiro

O nome de Danilo Lima aparece na delação premiada de Antonio Vinicius Gritzbach, executivo morto em um atentado no Aeroporto de Guarulhos em novembro de 2024. Em seus depoimentos, Gritzbach afirmou que a facção criminosa utilizava agenciamentos de atletas e transações esportivas para lavar dinheiro. A investigação atual indica que a UJ Football Talent funcionaria como um braço financeiro do grupo criminoso, tendo movimentado cerca de R$ 26 milhões em apenas um ano.

Desse montante, pelo menos R$ 280 mil foram transferidos para a Lion Soccer Sports, outra empresa registrada em nome de Danilo. O inquérito corre sob sigilo de Justiça e busca mapear se outros jogadores ou dirigentes tiveram participação direta no esquema de ocultação de valores.

Crise Institucional

Além da ligação com o crime organizado, o presidente do clube, Julio Casares, enfrenta investigações paralelas conduzidas pelo mesmo delegado. A Polícia Civil analisa saques em espécie realizados das contas do São Paulo que somam R$ 11 milhões.

As instituições bancárias notificaram as autoridades após classificarem as operações como atípicas devido ao alto volume de dinheiro vivo. A pressão política sobre a gestão aumentou após as acusações de envolvimento em vendas irregulares de camarotes no estádio.