Brasil Urgente

Estudo internacional aponta PCC e Comando Vermelho como ameaças globais

Avaliação ocorre poucos meses depois de os EUA classificarem as facções como organizações terroristas; pesquisa aponta transformação estrutural no modelo de crime na América Latina

LUCAS MARTINS

20/07/2026 • 18:59 • Atualizado em 20/07/2026 • 19:02

PCC rebelião

PCC rebelião

Estadão Conteúdo

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é a organização criminosa que representa a maior ameaça nas Américas, superando o Comando Vermelho e os cartéis mexicanos. A conclusão é de um estudo inédito do Instituto Igarapé, divulgado na última quarta-feira (15).

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A avaliação ocorre poucos meses depois de os Estados Unidos classificarem as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. O Departamento de Estado americano afirmou que as duas facções representam uma ameaça transnacional.

O PCC aparece em primeiro lugar, seguido pelo Comando Vermelho e pelo Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), do México. A relação inclui ainda grupos como a Mara Salvatrucha (MS-13), a Barrio 18, os equatorianos de Los Choneros, o Cartel de Sinaloa, os colombianos do Clan del Golfo e o Tren de Aragua, da Venezuela.

Segundo o estudo, o PCC conta com uma estimativa de 30 mil a 40 mil integrantes, com presença documentada em países da América do Sul e conexões operacionais na Europa e na África Ocidental. O Comando Vermelho, na segunda posição, é estimado entre 20 mil e 30 mil membros.

A facção paulista se diferencia pela capacidade de operar simultaneamente em diferentes mercados ilícitos e pela estrutura descentralizada, que reduz sua dependência de um único líder.

O documento aponta que o crime organizado na América Latina passou por uma transformação estrutural. Em vez de depender exclusivamente do tráfico de drogas, as grandes organizações ampliaram a presença internacional, diversificaram receitas e passaram a se infiltrar em mercados legais, cadeias logísticas e estruturas financeiras, se tornando mais resistentes às estratégias tradicionais de repressão.

Além do tráfico internacional de cocaína e armas, o PCC diversificou a atuação para áreas como mineração ilegal, extorsão, lavagem de dinheiro e infiltração em setores da economia formal, incluindo o de combustíveis, com o controle de redes de postos, distribuidoras e usinas.

Em portos como os de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, além de terminais fluviais da Amazônia, a facção desenvolve métodos ousados de tráfico internacional.

O estudo destaca ainda que as organizações mantêm conexões operacionais com grandes portos europeus, como Antuérpia (Bélgica), Roterdã (Holanda), Hamburgo (Alemanha), Le Havre (França) e Valência (Espanha), usados como pontos estratégicos para o envio de cocaína e outras mercadorias ilícitas.

A principal conclusão do levantamento é que o caminho mais eficiente contra o crime organizado não passa pelo confronto armado, mas pela inteligência financeira e pelo estrangulamento das contas bancárias das facções.

Para o Instituto Igarapé, estratégias baseadas em inteligência financeira, cooperação internacional e fortalecimento institucional tendem a produzir resultados mais efetivos do que ações concentradas exclusivamente no uso da força.