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Polícia Civil prende 12 mulheres suspeitas de liderar facções no Pará

Investigação localizou suspeitas que atuavam na gestão de condutas e na punição de integrantes em dez municípios da Região Metropolitana de Belém

SANDRA REDIVO

01/06/2026 • 18:01 • Atualizado em 01/06/2026 • 18:01

Polícia Civil prende 12 mulheres suspeitas de liderar facções no Pará

Polícia Civil prende 12 mulheres suspeitas de liderar facções no Pará

Band TV

A Polícia Civil do Pará realizou a prisão preventiva de 12 mulheres suspeitas de integrar o escalão de liderança de facções criminosas atuantes na Região Metropolitana de Belém. A operação foi o resultado de uma investigação que durou cerca de um ano e resultou no cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão em dez municípios da região. Segundo os relatórios oficiais da polícia, as investigadas desempenhavam o papel de "orientadoras", uma função interna voltada para a manutenção da ordem, mediação de conflitos e fiscalização do cumprimento das regras impostas pelas organizações.

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A ascensão de mulheres a cargos de comando e articulação estratégica em organizações criminosas passou a ser detectada com maior frequência pelas autoridades de segurança pública. Esse movimento operacional abrangeu tanto quadrilhas com atuação local quanto facções de alcance nacional, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de ramificações ligadas a grupos de países vizinhos ao território brasileiro.

Identificação e prisões efetuadas em diferentes estados

O monitoramento das atividades em plataformas digitais serviu como ferramenta para a localização de alvos em múltiplos estados. Entre os casos identificados na apuração, esteve o de Bianca Duarte Franco, de 24 anos, apontada como a responsável pelo setor de recursos humanos do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Conhecida como "Fielzinha do 41", a suspeita exercia a função de recrutar e cadastrar novos membros para a organização fluminense. Ela, que possuía um mandado de prisão pendente de cumprimento e publicava conteúdos portando armamento de grosso calibre, foi localizada e presa por agentes na cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos.

Em Teresina, no Piauí, outra ação coordenada resultou na detenção de uma mulher identificada no ambiente virtual pelo pseudônimo de "Coreana". De acordo com as informações fornecidas pela Polícia Civil do Piauí, ela integrava o "tribunal do crime" do Bonde do Maluco, uma organização local que disputa o controle de territórios com o PCC no estado. A investigada utilizava o próprio perfil na internet para divulgar conteúdos de entretenimento e ostentar bens materiais, elementos que subsidiaram a ação policial que culminou no arrombamento de seu endereço e na sua respectiva prisão.

Conexões internacionais e aplicação de métodos violentos

As investigações também apontaram a participação de mulheres em crimes de extorsão e violência qualificada vinculados a facções internacionais. Foi o caso de Crismar Andreína Contreras Gonzalez, de 19 anos, apontada como integrante do grupo venezuelano Trem de Aragua, que possui atuação no Peru. Conhecida pela alcunha de "cortadora de dedos", a jovem atraía as vítimas por meio de perfis falsos em aplicativos de relacionamento para depois submetê-las a sequestro e cárcere privado. O grupo exigia resgates de aproximadamente 400 mil reais e, caso os valores não fossem pagos, realizava a amputação dos dedos dos reféns. A mãe da jovem também foi detida sob a acusação de tê-la introduzido nas atividades do grupo, após rastreamento de postagens digitais.

Ainda no cenário de conexões internacionais, a polícia efetuou a prisão de Tatiana Marset, de 22 anos, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ela é irmã de Sebastian Marset, conhecido como "O Jogador", apontado como um dos principais nomes do tráfico internacional da região. Segundo os dados coletados pela investigação, Tatiana atuava diretamente na coordenação logística para integrantes estrangeiros da organização, no armazenamento de armamentos e na estruturação da contabilidade financeira do grupo.