Uma família brasileira está buscando ajuda para encontrar o pai que está desaparecido há 10 dias na Venezuela, desde os terremotos que atingiram o país e deixaram mais de 2.300 mortos e milhares de desaparecidos. Entre eles está Félix Tovar, empresário do ramo de importação e exportação, e que estava no país desde abril.
O jornalista Daniel Medina, filho de Félix, conversou com o Band.com.br e contou os detalhes da operação de busca na região de La Guaira, que fica em uma região costeira há 30 km de Caracas e é uma das mais atingidas pela tragédia. Segundo o filho, que está no Brasil, Félix estava na cidade temporariamente e iria para o Chile nos próximos dias, onde iria reencontrar a filha após um período de 10 anos sem se verem.
"O que a gente ouviu do dono da pousada é que umas 17h45 (horário local) meu pai saiu pra comer em uma padaria, que fica ao lado. Coincidentemente nessa hora ia começar o jogo do Brasil (contra a Escócia, pela Copa do Mundo). Então acreditamos que ele tenha ido atrás de ver o jogo em algum lugar", explicou.

Félix (à esquerda) ao lado da família; busca mobiliza voluntários e profissionais do Brasil (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
Daniel disse que conta com uma irmã e uma tia no local das buscas e que a família, com ajuda de moradores locais e voluntários, tentou refazer os passos do pai momentos antes dos tremores para tentar direcionar as buscas. "Depois do terremoto não conseguimos mais comunicação com ele. Tentamos entender onde ele poderia estar e fizemos um ratreio do celular dele pelas antenas telefônicas, que apontou que sua última localização foi perto de um hotel ali na mesma região. Então agora estamos direcionando as buscas pra lá", afirmou.
O trabalho feito pela família fez com que bombeiros e agentes da Defesa Civil de São Paulo passassem a ajudar nas buscas em meio aos escombros. "Os trabalhos envolvem a remoção cuidadosa dos destroços e a análise da estrutura colapsada, atividade que exige técnicas especializadas e extrema cautela para garantir a segurança dos profissionais envolvidos", disse a Defesa Civil em comunicado.
Precariedade nas buscas e falta de ajuda
Até a chegada de ajuda vinda do Brasil, Daniel conta que os trabalhos de resgate estavam enfrentando muitos obstáculos pela falta de preparo dos envolvidos e de equipamentos apropriados. "As buscas têm sido difíceis porque, além de não termos a localização exata de onde ele está, as buscas estão sendo improvisadas, meio amadoras até, pelas próprias famílias junto com voluntários, que não têm necessariamente um treinamento para essa operação e precisam de equipamentos de alta complexidade para levantar os escombros".
"Isso faz com que o processo seja mais sofrido, mais demorado e muito mais desgastante, tanto para os voluntários quanto para as famílias. São pessoas humildes que estão se dispondo a ajudar as famílias", completou Daniel, que destaca ainda que recebeu ajuda de ajuda de missões humanitárias de Espanha e Costa Rica, que está em "contato direto" com o governo brasileiro, mas não teve a mesma atenção do governo local. "A gente não tem recebido nenhum apoio das autoridades da Venezuela. Tem sido bem difícil a gente conseguir algum tipo de retorno mais institucional".
Daniel relembra que Félix tinha a "esperança que as coisas fossem melhorar economicamente" no país após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e contou que os negócios do pai foram drasticamente atingidos pela crise que o país enfrenta. Em busca de um final feliz, o filho agradeceu a ajuda que vem recebendo nos últimos dias. "Faltam recursos, às vezes falta até água para tomar banho e ir ao banheiro. A força vem muito dessa solidariedade das pessoas, da força coletiva e do incentivo da comunidade que a gente construiu, tanto da família, como dos meus amigos no Brasil. Isso tem sido incrível, não tenho nem palavras".

Vista aérea de como ficou a região de La Guaira após os terremotos (foto: Ricardo Arduengo/Reuters)
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