Mais de 4,8 mil quilômetros separam Roxana Rodríguez da família, em Maracay, cidade venezuelana atingida pelos terremotos da semana passada. Foi pelo celular que ela acompanhou o drama de filhos, irmãos e amigos.
O pátio da casa onde mora há três anos, em Porto Alegre, virou ponto de coleta de doações para as vítimas da tragédia — parte de uma rede de solidariedade que a comunidade venezuelana montou no Rio Grande do Sul para socorrer quem ficou no país natal.
Desempregada, Roxana descreve o esforço como uma forma de aliviar a dor à distância. "Meu coração está muito triste por todas as famílias que perderam irmãos venezuelanos, mas eu sinto um alívio porque eu pude arrecadar insumos para eles", contou.
Perto da casa dela, um grupo de venezuelanos também decidiu se reunir para recolher doações. O espaço fica no bairro Sarandi um dos atingidos pelas enchentes de maio de 2024. Na época, as moradoras venezuelanas encontraram na solidariedade a resposta para seguir em frente — a mesma lógica que agora orienta a mobilização pela Venezuela. "Ajudar um pouco a suportar tanto sofrimento e tanta tristeza, tanta coisa que passou", disse a autônoma Nayesky Blanco.
O que começou com pequenas iniciativas nas casas dos "venezuelanos gaúchos" virou uma grande rede de apoio. Um espaço em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, centraliza doações de mais de dez cidades. Tudo o que chega ali será levado para as regiões destruídas pelo terremoto. Os donativos seguirão em caminhões da Defesa Civil gaúcha até Curitiba e, do Paraná, serão levados até a Venezuela.
A mobilização reflete o tamanho da comunidade venezuelana construída no Brasil na última década. De 2010 a 2022, o número de venezuelanos no país saltou de 2.800 para mais de 270 mil, movimento impulsionado pela crise econômica, política e humanitária do país vizinho. Quem saiu de lá em busca de segurança e oportunidade agora tenta levar esperança para quem permaneceu.
A tragédia que motiva a corrente de solidariedade foi uma das mais graves da história recente da Venezuela. Os dois terremotos, de magnitude 7,5 e 7,2, que atingiram o país deixaram mais de 1,4 mil mortos e milhares de feridos, além de milhares de imóveis danificados e um grande número de desaparecidos. O estado de La Guaira concentrou os danos mais severos.
Diante da emergência, o Brasil se somou ao esforço internacional de resposta. O governo brasileiro enviou aeronaves da Força Aérea com equipes de resgate e ajuda humanitária, incluindo bombeiros, cães farejadores, médicos e toneladas de material de apoio para reforçar as buscas e o atendimento às vítimas.
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