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"Caminho de sensatez", avalia professor Leonardo Trevisan sobre encontro de Lula e Trump

Segundo ele, o tom do encontro foi definido antes mesmo de acontecer, com sinais claros de que o objetivo era encontrar uma "solução"

Da redação
DA REDAÇÃO

26/10/2025 • 10:30 • Atualizado em 26/10/2025 • 10:30

Resumo

Reunião entre Lula e Trump na Malásia é marcada por busca de diálogo e solução, contrastando com a postura anterior de imposição de sanções dos EUA. Mudança de estratégia americana é motivada por interesses econômicos, após perceberem que o Brasil possui outros parceiros comerciais significativos como a China.

Posicionamento estratégico do Brasil é destacado durante encontro, enfatizando a equidistância geopolítica e a importância das relações comerciais com diversos países, incluindo a China.

A escolha da Malásia para a reunião simboliza a mensagem brasileira de ter múltiplas opções no cenário internacional.

A aguardada reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Malásia foi motivada por um "caminho de sensatez" de ambas as partes, mas com os Estados Unidos em uma posição de maior necessidade, avaliou o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, em entrevista à BandNews TV.

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Segundo ele, o tom do encontro foi definido antes mesmo de acontecer, com sinais claros de que o objetivo era encontrar uma "solução" e não agravar problemas.

Trevisan destacou a mudança de postura americana, que antes impunha sanções e agora busca o diálogo. O fator decisivo, para ele, foi puramente econômico. "O que tem de maior poder de convencimento do que o bolso?", questionou o especialista, explicando que, embora as exportações brasileiras para os EUA tenham caído nos últimos meses, as exportações gerais do Brasil subiram.

"Ficou muito claro que o Brasil tinha outro freguês, e os Estados Unidos anotaram o recado", afirmou Trevisan.

China e o posicionamento do Brasil

O professor explicou que esse "outro freguês" é, principalmente, a China. Ele revelou que em uma reunião preparatória crucial, a diplomacia brasileira deixou claro aos americanos seu posicionamento estratégico.

"O Brasil pertence ao Ocidente", disse Trevisan, reproduzindo a mensagem diplomática, "mas não está no lado geopolítico da China. Nós fazemos negócios com a China, como fazemos com o mundo inteiro".

Para o analista, essa postura de "equidistância" deu ao Brasil uma nova força no cenário internacional. A escolha da Malásia, um país asiático, para o encontro não foi por acaso. Foi um recado de que o Brasil "tem outras opções".

Segurança alimentar: O trunfo brasileiro

A força do Brasil, segundo Trevisan, não se resume apenas ao comércio. Ele enfatizou o papel do país como uma potência em segurança alimentar, algo que a tecnologia, por si só, não pode substituir.

"Você pode fazer o que quiser com o avanço tecnológico. A inteligência artificial não fornece soja e carne, o Brasil fornece", pontuou, descrevendo o país como "a maior indústria a céu aberto" do mundo.

Lula se dispôs a ser um interlocutor com a Venezuela, afirma chanceler

Segundo o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, o presidente Lula teria se disposto, durante a reunião, a ser um interlocutor entre os EUA e a Venezuela. O objetivo, segundo o ministro, seria "buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países".

"Lula levantou o tema [Venezuela]. Falou que América Latina e América do Sul é uma região de paz. Ele se prontificou a ser um contato, interlocutor com a Venezuela para se buscar soluções mutuamente aceitáveis e corretas para os dois países. O Brasil sempre será disposto a atuar como elemento de promoção da paz e do entendimento, sempre foi a tradição do Brasil e continuará sendo. Trump agradeceu e concordou", disse Vieira.