
Marcos Troyjo
Canal Livre
O ex-presidente Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS), Marcos Troyjo, avaliou que o Banco Central (BC) está sendo prudente ao manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada e sem sinalização de corte para janeiro. Em participação no programa Canal Livre, ele argumentou que o aumento do gasto público, o crescimento da relação dívida-PIB e a maior intervenção do governo em empresas de economia mista, entre outros fatores, justificam a cautela da instituição.
A economista Juliana Rosa, membro da bancada, questionou Troyjo sobre a frustração do mercado após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), onde não houve o esperado sinal de corte na Selic. Ela questionou se o BC estaria “exagerando” e quando o Brasil teria uma taxa de juros considerada “decente”.
Razões para a prudência do BC
Para Marcos Troyjo, o cenário fiscal e a postura do governo em relação às contas públicas criam um ambiente de incerteza que exige maior rigidez do Banco Central.
O ex-secretário listou uma série de fatores que, em sua visão, aumentam a preocupação do BC.
“O gasto público no Brasil, como percentual do PIB, está subindo. A relação dívida-PIB no Brasil está subindo. A carga dos impostos como fatia do Produto Interno Bruto no Brasil está subindo. A intervenção do governo em empresas de economia mista está subindo”, destacou Troyjo.
Ele pontuou que, na contagem regressiva para as próximas eleições presidenciais, grandes preocupações fiscais não parecem estar no "radar do atual governo".
“Então, há muitas razões pelas quais o Banco Central tem que ser muito mais prudente”, afirmou o economista.
Cenário internacional e apetite governamental
Troyjo ainda mencionou o contexto externo, citando o “recrudescimento do dólar” em relação a várias moedas, incluindo o real, como um fator que ajudou a atenuar os patamares de inflação.
“Haveria sim, né... não fosse esse conjunto de outras coisas, eu acho que razões importantes para você diminuir o tamanho dos juros no Brasil”, disse Troyjo, reconhecendo que o BC teria espaço para o corte em um cenário diferente.
No entanto, ele enfatizou que a combinação dos cinco fatores internos que mencionou é muito forte.
O ex-secretário concluiu que essas preocupações “vão continuar trazendo preocupações para uma direção de Banco Central num contexto em que o governo não para de aumentar o seu apetite por drenar recursos que estão disponíveis para a sociedade brasileira”.
O Banco Central manteve a Selic na última reunião do Copom, frustrando a expectativa de alguns analistas por um sinal de corte em janeiro. Apesar de não ter descartado o corte, o tom da comunicação do BC foi interpretado como mais duro, diminuindo as chances de uma redução dos juros no início do próximo ano.
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