Canal Livre

Ex-ministro defende venda da Petrobras: "São ineficientes por natureza"

Maílson da Nóbrega afirma que falta justificativa econômica para manter Banco do Brasil e Correios sob controle do governo

Da redação
DA REDAÇÃO

26/07/2026 • 15:32 • Atualizado em 26/07/2026 • 15:33

Maílson da Nóbrega no Canal Livre

Maílson da Nóbrega no Canal Livre

Band TV

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega defendeu a venda da Petrobras e de outras companhias públicas durante participação no programa Canal Livre deste domingo (26). Titular da pasta no governo José Sarney, no período de hiperinflação do fim dos anos 1980, o economista sustentou que a estrutura estatal compromete a eficiência operacional e a gestão corporativa no país.

Compartilhar

Ao abordar o papel das corporações estatais, o ex-ministro avaliou que não existem razões econômicas ou estratégicas para a manutenção do controle governamental sobre a petroleira e outras companhias federais.

“Não há justificativa de natureza econômica, social, política, estratégica para Petrobras ser estatal. Aliás, nem Banco do Brasil. As empresas estatais são, por natureza, ineficientes. Não são totalmente eficientes, melhor dizendo. Por quê? Porque elas mudam de administração a cada quatro anos, às vezes menos do que isso. Porque estão submetidas a regras do governo, de concorrência pública”, disse.

“Por exemplo, o Banco do Brasil ficou dois anos sem renovar o seu parque de computadores, porque uma empresa ganhou a concorrência e a outra entrou na Justiça e ficou dois anos discutindo”, continuou. “Essa coisa de mudar a administração a cada quatro anos, ou às vezes menos. Você tem o presidente da Petrobras que muda a cada um, dois anos. Tudo isso gera ineficiências. E as escolhas não são necessariamente as melhores. Você vai ser presidente da Petrobras não porque você é um grande empresário, um grande executivo, mas porque você é amigo do rei, porque é amigo da Janja, sei lá".

Na visão do ex-ministro, a localização geográfica da sede do Banco do Brasil diverge da dinâmica do setor financeiro global, ressaltando que as instituições bancárias se concentram em grandes centros econômicos. "O Banco do Brasil tem sede em Brasília, não tem nenhuma lógica para o Banco do Brasil ter sede em Brasília", disse. "No mundo inteiro, os bancos se concentram em classes, são conjuntos. Nos Estados Unidos, em Nova Iorque, São Francisco e Los Angeles. No Reino Unido, em Londres. Na França, em Paris. O Banco do Brasil teria que estar aqui (Sâo Paullo). E o próprio Banco do Brasil sabe disso, tanto assim que grande parte das suas operações já são realizadas com gente aqui", argumentou.

O Canal Livre é exibido aos domingos às 20h na BandNews TV e às 23h na Band TV. Participam como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Sheila Magalhães, Juliana Rosa e Thays Freitas. A apresentação é de Rodolfo Schneider.

Tópicos relacionados