Canal Livre

'Fechar Estreito de Ormuz foi a bomba atômica da guerra', avalia professor

Especialistas debatem no Canal Livre como o fortalecimento estratégico do Irã altera o cenário de tensões no Oriente Médio e afeta preços globais

Da redação
DA REDAÇÃO

20/06/2026 • 22:52 • Atualizado em 20/06/2026 • 22:53

O programa Canal Livre deste domingo (21) fala sobre uma análise aprofundada sobre as negociações de paz e o aumento das tensões no Oriente Médio. O debate, conta com especialistas em relações internacionais, foca no papel do Irã como ator regional e nos riscos iminentes de um agravamento do conflito para a economia mundial.

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Durante a discussão, o professor de relações internacionais Sidney Leite destacou a relevância do Estreito de Ormuz para a estabilidade econômica global. Segundo o especialista, a região funciona como uma rota vital para o transporte de petróleo mundial.

Leite classificou um eventual fechamento do estreito como a "verdadeira bomba atômica" do atual conflito. De acordo com o professor, qualquer bloqueio na passagem marítima criaria uma "caixa de Pandora" com reflexos diretos na economia global, impulsionando a inflação, especialmente nos Estados Unidos e em países dependentes da energia fóssil.

Fortalecimento do regime iraniano

Outro ponto central do debate foi a avaliação sobre a política externa dos Estados Unidos e de Israel em relação ao governo iraniano. Para o professor Leonardo Trevisan, as tentativas de enfraquecer Teerã por meio de ataques e sanções severas não alcançaram os resultados esperados pelas potências ocidentais.

Na visão de Trevisan, o Irã terminou este processo como um ator estratégico com maior influência regional do que possuía no início do ano.

A grande vitória estratégica do Irã é ter colocado, no contexto dos Estados Unidos, o Líbano junto com o Irã, afirmou Leonardo Trevisan durante o programa.

Ainda segundo o especialista, essa articulação política evidenciou um distanciamento entre as políticas externas de Washington e de Tel Aviv.

O legado do acordo nuclear e o enriquecimento de urânio

A jornalista Thaís Dias e o mediador Rodolfo Schneider abordaram o impacto das decisões tomadas na era do governo Donald Trump. Os participantes do Canal Livre recordaram o momento em que os Estados Unidos abandonaram o acordo nuclear assinado durante o governo Obama.

A ruptura do tratado é vista pelos especialistas como um erro estratégico que gerou um passivo diplomático considerável. Como consequência direta da saída dos norte-americanos do pacto, o Irã acelerou significativamente suas atividades de enriquecimento de urânio, reduzindo a margem de controle da comunidade internacional sobre o programa nuclear do país.