
Bandeira do Irã em meio a destroços na capital Teerã
Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS.
O doutor em Direito Econômico pela USP, Emanuel Pessoa, trouxe uma perspectiva pragmática ao analisar o conflito no Irã no programa Canal Livre. Para o jurista, a guerra atual representa o colapso da ideia de que as grandes potências estão submetidas a normas globais.
Pessoa resgatou um episódio histórico para ilustrar o cenário atual. Ao ser pressionado pelo Vaticano, o líder soviético Josef Stalin questionou: "Quantas divisões tem o Papa?". A frase reflete a ideia de que, sem força militar, a autoridade diplomática é limitada.
De acordo com o colunista, as gerações que cresceram a partir dos anos 90 viveram sob a crença de que o Direito Internacional era uma força moderadora.
"Elas cresceram com a ilusão de que existe um negócio chamado direito internacional para valer e que os países fortes se submeteriam ao direito internacional", pontuou.
No entanto, o especialista explica que essa percepção só existiu devido à dominância absoluta de Washington após a Guerra Fria. "Os Estados Unidos aplicavam o direito internacional, porque o direito internacional era o que os Estados Unidos queriam. Ponto final", afirmou Pessoa.
Ao citar o exemplo dos impérios Britânico e Espanhol, o jurista argumentou que a história sempre foi determinada pela força, e não por tratados. "Os americanos fizeram o que quiseram, intervieram em todos os países que tiveram interesses militarmente ou por meio da CIA, por meio de golpes", relembrou.
Para ele, o conflito no Irã é o marco final dessa percepção de um mundo regrado por leis. "Agora no Irã essa ilusão foi destruída. Porque as pessoas finalmente entenderam que as grandes potências fazem o que querem para defender os seus interesses e criam justificativas posteriores", concluiu.
Canal Livre
A apresentação é de Rodolfo Schneider. Participam também como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre e Thaís Dias.
O Canal Livre vai ao ar neste domingo (8), às 20h, na BandNews TV e no canal Band Jornalismo do YouTube. Mais tarde, vai ao ar na tela da Band, com transmissão simultânea no site Band.com.br e no aplicativo Bandplay
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