
Ataques no Líbano
REUTERS/Mohamed Azakir
O frágil acordo de cessar-fogo por duas semanas está sendo posto à prova. O Irã acusa Israel de violação do cessar-fogo por ter atacado o Líbano. Já a Casa Branca e o governo israelense rebatem e dizem que o Líbano nunca esteve nas tratativas.
Nestas últimas horas, fora ocorrências isoladas, os bombardeios no Oriente Médio parecem não acontecer no momento — com exceção do Líbano! No Estreito de Ormuz, centenas de navios se encontram bloqueados. Teerã quer controlar o tráfego no estreito, impondo rotas alternativas que o Irã alega serem seguras, mas que passam por sua costa. O Irã diz que os outros corredores de rota estão minados.
Os Estados Unidos afirmam que o acordo para uma paz duradoura, que começa a ser negociado amanhã em Islamabad, no Paquistão, só se dará com a livre navegação pelo Estreito de Ormuz e a proibição da produção de artefatos nucleares pelo Irã; além da entrega de todo urânio enriquecido a 60%, nível próximo da bomba nuclear.
Já no Líbano, a tragédia só aumenta. Israel lançou ontem o maior bombardeio desde o início do conflito: foram usados 50 caças, que lançaram 160 bombas contra 100 alvos em apenas 10 minutos de ação. Isso por todo Líbano, incluindo a capital, Beirute. Só nas últimas 24 horas — segundo a Cruz Vermelha — passa de 250 mortos e mais de mil feridos. Nesta manhã, Israel diz ter eliminado um alto dirigente do Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã.
No mundo, vários países condenam os ataques israelenses ao Líbano. A França, aliada histórica do país, disse que a situação é inaceitável e pede a imediata inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo. A Espanha chamou o desprezo do governo Netanyahu pela vida e pelo direito internacional... classificou como intolerável.
O Brasil, que é considerado o país com a maior população de origem libanesa do mundo (maior até que a própria população do Líbano em algumas estimativas), também se manifestou. A nota do Itamaraty destaca que a ofensiva acontece logo após o anúncio de um cessar-fogo e alerta para o risco de nova escalada de violência na região. O Brasil reafirma apoio à soberania libanesa, pede a suspensão imediata das ações militares de Israel e cobra o cumprimento da resolução da ONU que prevê a retirada de forças do território libanês.
Gente, os bombardeios de Israel foram disparados sem aviso prévio. Não deu tempo para evacuar pessoas. Sob o pretexto de combater o Hezbollah, civis estão sendo assassinados — quase dois mil mortos desde o começo de março e mais de um milhão de deslocados no país.
Alegando sua segurança nacional, Israel também avança no território libanês e vai até o Rio Litani, uma importante fonte de abastecimento de água, irrigação, hidroeletricidade e terras férteis do país. As Nações Unidas veem o avanço israelense no Líbano com muita preocupação. Afinal, Israel já anexou as Colinas de Golã, que eram território sírio, e Jerusalém Oriental. Mais recentemente, há a ocupação de áreas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
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