
Lula discursa na Assembleia-Geral da ONU
Reprodução/REUTERS/AL DRAGO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta terça-feira (23), que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada no Pará, em novembro, é a “COP da verdade”.
Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente brasileiro afirmou que esse será o momento de líderes mundiais provarem a seriedade do compromisso com o planeta.
“Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado. A COP30, em Belém, será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”, disse Lula.
Durante sua fala, Lula reforçou que o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões, “abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia”.
“Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios. Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões”, pontuou Lula.
“Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, mas de justiça”, acrescentou.
Para Lula, a corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, “não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos”.
“Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia. O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos. Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes (...). É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação”, declarou.
“O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima. Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece. Um conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática”, continuou.
Reforma na ONU
Para o petista, trata-se de um passo fundamental na direção de uma “reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança ampliado nas duas categorias de membros”.
“Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio. Medidas unilaterais transformam em letra-morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida. Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação. É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis”, finalizou.
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