A situação na Venezuela atingiu um ponto crítico, com a população civil assumindo, por conta própria, a maior parte dos trabalhos de busca e resgate após os dois terremotos registrados na semana passada e que já deixaram 1.700 mortos. Armados apenas com pás, luvas e capacetes, voluntários se lançam aos escombros na busca por sobreviventes.
A tragédia evidenciou falhas estruturais históricas no país. Críticos apontam que, enquanto Caracas e centros urbanos principais receberam investimentos ao longo dos anos, as regiões periféricas foram negligenciadas pelo regime atual e pelos governos anteriores, de Hugo Chávez (1999-2013) e de Nicolás Maduro (2013-2026).
A ausência de maquinário pesado é o maior obstáculo enfrentado pelas equipes de resgate voluntárias. Segundo relatos locais, a falta de equipamento para remover grandes blocos de concreto e cimento tem impedido que civis alcancem pessoas soterradas que, muitas vezes, ainda podem ser ouvidas sob os escombros.
Tem muita gente que está soterrada, que está desaparecida, e as pessoas aqui, esses voluntários, conseguem escutar, mas não conseguem chegar até essas pessoas porque não têm o equipamento necessário. --repórter Anthony Wells
Medo generalizado
A resposta das autoridades venezuelanas tem sido classificada como escassa e limitada. Diante da fragilidade da infraestrutura e do receio de novos tremores ou colapsos, o medo tomou conta da população, que tem evitado permanecer dentro das residências.
Como medida de segurança, o governo deve iniciar nos próximos dias um protocolo de vistoria nas vias e nas estruturas danificadas. Até o momento, as atividades escolares permanecem suspensas por tempo indeterminado, sem previsão de retorno.
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