A paisagem urbana de Caracas e do estado litorâneo de La Guaira mudou drasticamente após os terremotos que atingiram a Venezuela, na última quarta-feira (24). Onde antes erguiam-se prédios residenciais, agora veem-se estruturas com paredes arrancadas, revelando salas de estar e objetos pessoais expostos ao vazio.
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Nas ruas, o cenário é de desolação: sem poder retornar para casa devido ao risco de novos desabamentos, milhares de moradores transformaram calçadas em dormitórios e seus próprios carros em refúgios temporários. As buscas continuam após 188 mortes e mais de 1.500 desaparecidas oficialmente --o número, no entanto, deve ser bem maior.
Relatos colhidos por repórteres locais descrevem momentos de pânico durante os tremores de magnitude 7,5 e 7,2. "Durou uns 15 segundos, mas para mim pareceu 3 horas porque a intensidade era muito forte", afirmou um morador, lembrando que, logo após o primeiro sismo, uma réplica igualmente intensa voltou a atingir a região.
La Guaira: ‘zona de desastre’
A situação mais crítica está no estado de La Guaira, especificamente em áreas como Catia La Mar, que se tornou o epicentro de uma das maiores tragédias da história do país. A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a região como "zona de desastre" após o fechamento do Aeroporto Internacional de Maiquetía por danos estruturais.
Equipes de voluntários e profissionais de saúde trabalham sem descanso em prontos-socorros que recebem um fluxo constante de feridos vindos do litoral.
Além do sofrimento físico, há o medo da insegurança: moradores denunciam atos de vandalismo e saques em edifícios abandonados, ao mesmo tempo em que clamam desesperadamente por intervenção estatal. "Tragam tratores, escavadeiras, militares... é isso que nós queremos", apelou um sobrevivente em meio aos escombros.
Balanço e ajuda internacional
Até o momento, o governo confirmou 235 mortes e mais de 1.500 feridos. Contudo, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) projeta que o saldo final possa ser catastrófico, variando entre 10 mil e 100 mil fatalidades.
Diante da magnitude do desastre, uma rede de solidariedade internacional começou a se formar. O Brasil envia, nesta sexta-feira (26), uma força-tarefa composta por 36 bombeiros militares e nove toneladas de equipamentos, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está pronto para agir no apoio.
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