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Dino suspende ordem da CPI para quebrar sigilos de lobista ligada a Lulinha

Ministro do STF vê vício em aprovação em bloco de 87 pedidos na comissão que investiga fraudes no INSS

Da redação com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

04/03/2026 • 12:44 • Atualizado em 04/03/2026 • 12:51

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu, nesta quarta-feira (4), a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela CPMI do INSS e lobista ligada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Decisão questiona votação em bloco da CPMI

Dino acolheu o argumento da defesa de Roberta e entendeu que a comissão parlamentar mista violou o devido processo constitucional ao aprovar, em 26 de fevereiro, 87 requerimentos de forma conjunta, incluindo pedidos de quebras de sigilo.

Na decisão, o ministro determinou que, se os dados bancários e fiscais da empresária já tiverem sido enviados aos parlamentares, eles devem permanecer sob sigilo na Presidência do Senado até o julgamento do mérito da ação pelo STF.

O magistrado ressaltou que CPIs e CPMIs têm poderes equiparados aos de autoridades judiciais, mas ponderou que medidas invasivas, como a violação de sigilos bancário, fiscal ou telemático, exigem fundamentação específica e individualizada para cada investigado.

Segundo Dino, a aprovação em bloco de dezenas de requerimentos, sem análise particularizada das razões apresentadas em relação a cada alvo, não atende a esse padrão constitucional de motivação.

Briga na CPMI e reação do Senado

Na semana passada, a CPMI do INSS registrou briga entre parlamentares após a aprovação dos 87 requerimentos em conjunto. Integrantes da base governista contestaram a forma como o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), conduziu a votação.

Inconformados, os governistas recorreram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular a deliberação ou desmembrar a análise dos pedidos mais sensíveis, como as quebras de sigilo.

Nesta terça-feira (3), porém, Alcolumbre rejeitou o recurso e manteve a decisão da CPMI, inclusive a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha e os demais 86 requerimentos aprovados em bloco, entre eles o de Roberta.

Com a liminar de Dino, a suspensão atinge apenas os dados da empresária, que ficam resguardados até nova decisão do STF. As demais medidas aprovadas pela CPMI do INSS, inclusive em relação a Lulinha e outros investigados, seguem válidas por enquanto.

A decisão do Supremo abre nova frente de disputa entre a comissão e o Judiciário e coloca em debate os limites para o uso de quebras de sigilo em investigações conduzidas pelo Congresso.

Relator diz que decisão pode anular quebra de sigilo de Lulinha

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), fez críticas nesta quarta-feira, 4, à anulação da quebra de sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Ele acredita que essa decisão deverá abrir procedentes que podem levar até mesmo à anulação da quebra de sigilos de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Luchsinger é amiga de Lulinha.

"A abrangência da decisão deixa margem para dúvida. De qualquer forma, é um precedente para todos", disse o relator.

Esse é um entendimento também compartilhado pelo presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Gaspar afirmou que o ministro do Supremo "deu um tapa na cara do brasileiro de bem" e "salvou Lula de escândalos e afogou a transparência no combate à corrupção". "Dino, você trabalhou contra o Brasil", disse.

O relator disse estar "revoltado e indignado" com a decisão do magistrado. "Lulinha tem culpa no cartório, os bancos precisam ser investigados. Você, como paladino da moralidade, impedindo a CPMI de trabalhar para passar este País a limpo. Estamos revoltados e indignados. Vamos derrubar essa sua decisão. Ninguém aguenta mais essa impunidade", afirmou.