
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou de “banditismo” o aumento recente do preço do óleo diesel em postos e distribuidoras e anunciou ações de fiscalização do governo federal, nesta sexta-feira (20), após participar de um evento sobre política assistencial na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Crítica à escalada de preços
Boulos acusou parte do setor de combustíveis de se aproveitar da tensão no mercado internacional para elevar os preços nas bombas sem justificativa econômica, mesmo após medidas de desoneração adotadas pelo Palácio do Planalto.
Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular
Segundo ele, a guerra no Oriente Médio não explica, sozinha, os reajustes ao consumidor porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para amortecer o impacto da alta do petróleo.
O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo
Na avaliação de Boulos, o objetivo dessas medidas é impedir que a disparada do barril no exterior se traduza em inflação mais alta no Brasil.
Encontro com caminhoneiros e risco de greve
O ministro confirmou que se reunirá na próxima quarta-feira (25), no Palácio do Planalto, com lideranças dos caminhoneiros, que chegaram a ameaçar uma nova paralisação nacional em reação ao encarecimento do diesel.
Em assembleia realizada no Porto de Santos, na quinta-feira (19), a categoria decidiu não entrar em greve e manter as negociações com o governo.
Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro
Boulos disse que o recuo do movimento ocorreu após o governo se comprometer a atender reivindicações dos caminhoneiros, como reforço da fiscalização sobre preços e garantias em relação ao frete.
Fiscalização e operações em postos
Como resposta aos aumentos, o ministro afirmou que a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor intensificaram operações em todo o país para apurar suspeitas de reajustes abusivos em postos e distribuidoras.
Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles
Segundo Boulos, o governo determinou uma atuação “enérgica” para conter o que classifica como escalada especulativa do preço do diesel.
Piso do frete e punição a transportadoras
O ministro também destacou a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, publicada na quinta-feira (19), que endurece as punições a transportadoras que não respeitarem o piso mínimo do frete pago aos caminhoneiros.
Não dá para as grandes empresas não cumprirem o piso mínimo
Ele afirmou que o texto foi negociado com representantes da categoria e que apenas multas não vinham inibindo o descumprimento do piso por parte das empresas.
Já havíamos nos reunido com os caminhoneiros no fim do ano, o governo intensificou a fiscalização, mas mesmo com as multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, eles continuam [a descumprir], parece que compensa para eles ter a multa e não pagar o piso
A MP prevê que, em caso de reincidência, grandes transportadoras poderão ter o registro de funcionamento cassado.
Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo
No cenário internacional, a escalada de preços está ligada à ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que elevou a tensão em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo.
Uma das respostas do Irã tem sido atacar países vizinhos produtores e ameaçar o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre os golfos Pérsico e de Omã por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Nesta sexta-feira, o barril do tipo Brent era negociado por volta de US$ 110 (cerca de R$ 580). Antes da ofensiva contra o Irã, a cotação girava pouco acima de US$ 70, e o governo iraniano chegou a alertar para um cenário em que o barril possa alcançar US$ 200.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro no último sábado (14). De acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, a desoneração de tributos federais ajudou a suavizar o impacto nas bombas, enquanto o governo federal propôs aos estados zerar o ICMS do diesel importado para reduzir ainda mais os repasses ao consumidor.
Com informações da Agência Brasil

