Band Jornalismo

Edmundo González deve assumir seu mandato constitucional, diz Corina

Vencedora do Nobel da Paz publicou carta aberta pedindo que militares reconheçam oposição; pedido ocorre após deposição de Maduro por ataque dos EUA

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

03/01/2026 • 13:34 • Atualizado em 03/01/2026 • 13:39

A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, defendeu neste sábado (3) que Edmundo González Urrutia assuma a presidência da Venezuela. A manifestação ocorre após a deposição de Nicolás Maduro, resultante de um ataque militar dos Estados Unidos.

Compartilhar

Em carta aberta intitulada "Chegou a Hora da Liberdade", publicada em suas redes sociais, María Corina conclamou os militares venezuelanos a reconhecerem González como o novo líder e comandante em chefe da nação. Historicamente, os militares foram a base de apoio de Maduro, embora a relação apresentasse sinais de desgaste.

Convocação às Forças Armadas

Na carta, a Nobel da Paz enfatizou que o mandato constitucional de González deve ser cumprido imediatamente. Ela apelou diretamente aos oficiais e soldados para que validem o resultado das urnas de julho do ano passado.

"Esta é a hora dos cidadãos que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. É a hora dos que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo presidente da Venezuela", afirmou a líder oposicionista. Ela reforçou que a oposição está organizada para concretizar a transição democrática e "colocar ordem" no país.

Histórico de contestação

As eleições presidenciais de julho de 2024 foram o estopim da atual crise. Na ocasião, María Corina foi impedida de concorrer e aliou-se a González. Embora Maduro tenha sido declarado vencedor, o processo foi contestado pela oposição e pela comunidade internacional devido à falta de transparência e de provas da vitória governista.

Segundo María Corina, a intervenção norte-americana foi uma resposta à postura de Maduro. "Perante a sua negativa em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei", declarou.

Justiça internacional e transição

Além da mudança no comando do país, a líder oposicionista assegurou que o ex-presidente enfrentará tribunais internacionais. Para ela, Maduro deve responder por "crimes atrozes" cometidos contra cidadãos venezuelanos e estrangeiros.

Como próximos passos, a Nobel da Paz prometeu a libertação de presos políticos e a reconstrução econômica para permitir o retorno de venezuelanos que deixaram o país. "Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder", concluiu.