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Em Caracas, Múcio diz que Brasil quer 'atuar mais' na ajuda à Venezuela

Ministro da Defesa chegou ao país vizinho nesta terça-feira (30) para coordenar atuação brasileira

Afonso Marangoni
AFONSO MARANGONI

30/06/2026 • 14:25 • Atualizado em 30/06/2026 • 14:32

Missão humanitária do Brasil na Venezuela

Missão humanitária do Brasil na Venezuela

Seaud/PR

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, chegou à Venezuela nesta terça-feira (30) para coordenar o auxílio brasileiro destinada ao país após os terremotos da semana passada. Ao desembarcar, ele disse que o Brasil quer participar mais da ajuda ao país, que já contabiliza em torno de 2.000 mortes.

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Na missão, acompanham o ministro Inês da Silva Magalhães, vice-presidenta de Habitação da Caixa Econômica Federal; e Augusto Henrique Alves Rabelo, Secretário Nacional de Habitação do Ministério das Cidades. Além disso, o Brasil enviou, também nesta terça-feira, um quinto voo humanitário.

"Queremos ver onde podemos ajudar mais, fazer uma coisa ordenada, por isso que o presidente nos mandou, os três, para que nós conversássemos para ver quais as prioridades nesse momento. Sabemos que tudo é preciso, mas precisamos organizar essa ajuda para que possamos participar mais. Essa é a nossa intenção", disse o ministro.

Queremos ver exatamente o que precisa mais para que nós possamos fazer com ordem, com disciplina, onde é que nós podemos ajudar. Então, em vez de ficar conversando só por telefone, o presidente preferiu que eu viesse aqui. Mudei umas viagens que tinha para fora do país para poder vir aqui à Venezuela. --José Múcio Monteiro

Cobranças ao Estado

A tragédia evidenciou falhas estruturais históricas na Venezuela. Críticos apontam que, enquanto Caracas e centros urbanos principais receberam investimentos ao longo dos anos, as regiões periféricas foram negligenciadas pelo regime atual e pelos governos anteriores, de Hugo Chávez (1999-2013) e de Nicolás Maduro (2013-2026).

A ausência de maquinário pesado é o maior obstáculo enfrentado pelas equipes de resgate voluntárias. Segundo relatos locais, a falta de equipamento para remover grandes blocos de concreto e cimento tem impedido que civis alcancem pessoas soterradas que, muitas vezes, ainda podem ser ouvidas sob os escombros.

Tem muita gente que está soterrada, que está desaparecida, e as pessoas aqui, esses voluntários, conseguem escutar, mas não conseguem chegar até essas pessoas porque não têm o equipamento necessário. --repórter Anthony Wells

A resposta das autoridades venezuelanas tem sido classificada como escassa e limitada. Diante da fragilidade da infraestrutura e do receio de novos tremores ou colapsos, o medo tomou conta da população, que tem evitado permanecer dentro das residências.

Como medida de segurança, o governo deve iniciar nos próximos dias um protocolo de vistoria nas vias e nas estruturas danificadas. Até o momento, as atividades escolares permanecem suspensas por tempo indeterminado, sem previsão de retorno.